“ Fe é... uma coisa maravilhosa; envolve uma mudança de toda a natureza do homem; envolve um ódio novo pelo pecado e uma fome e sede...

Série: A gloriosa doutrina da justificação - Qual o meio?

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Fe é... uma coisa maravilhosa; envolve uma mudança de toda a natureza do homem; envolve um ódio novo pelo pecado e uma fome e sede novas pela justiça. Uma mudança tão maravilhosa como essa não e obra do homem. A fé, em si mesma, é-nos dada pelo Espírito de Deus. Os cristãos nunca tornam a si mesmos cristãos, mas são feitos cristãos por Deus” (Machen , J. Gresham. What is faith? New York: Macmillan, 1925. p. 203.)
Na Santa Doutrina, mais precisamente, no capítulo onze da epístola aos Hebreus, retrata a fé como exigência para entrar no eterno descanso de Deus. Todo este capítulo aborda a supremacia e superioridade da fé. Constituindo em seu primeiro versículo a fé como “A garantia do que se espera e a prova do que não se vê”. Os santos mencionados no capítulo supracitado são exemplos de pessoas que foram justificadas pela fé e viveram pela fé. A fé é tanto o caminho para a vida como o modo de viver. Pois, sem fé é impossível agradar a Deus, tornando-se, dessa maneira, o único meio de crê em Deus e no seu evangelho Redentor.

Vislumbramos ao decorrer dessa série a doutrina da justificação, desde o conceito de justificação, bem como seu surgimento, estendendo-se até a sua necessidade. Haja vista que, a doutrina da justificação enfatiza a importância e a necessidade do homem fixar os olhos em Cristo, no que diz respeito à salvação e colocar a confiança exclusivamente na expiação dos pecados em Jesus, que nos justificou graciosamente pelo seu sangue na cruz. Portanto, não há nenhum mérito humano e não vem de obras, pois, somente pela fé que somos justificados, sendo assim, a fé é o meio de justificação, na qual o justificador é Deus. Dessa maneira, nesse último texto da referida série, abordarei sobre “qual é o meio da justificação?”, explanarei o que as Sagradas Escrituras preceitua sobre fé, e se é somente pela fé que somos justificados.

O que é a fé

Na carta supracitada, em seu capítulo 11, a fé configura como “a certeza de coisas que se esperam a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (vv. 1-3). A fé é crê no que Deus afirma em sua Palavra revelada por meio da cruz de Cristo para remição de nossos pecados. Sendo assim, uma confiança e dependência sobrenatural no senhorio do Autor de nossas vidas. Pois, a origem da fé é simplesmente crer que Deus existe.

A palavra traduzida por “certeza” deriva do grego “hupostasis”, que significa um fundamento, uma base sobre a qual algo é construído. No dicionário grego observa-se que “hupostasis” era usada na literatura grega antiga como um termo legal que se referia a “documentos relacionados à propriedade das pessoas, depositados em arquivos e constituintes de evidência de posse”. Nesse sentido o dicionário grego oferece esta tradução: “Fé é o documento de propriedade das coisas esperadas”. Portanto, fé é a certeza absoluta da convicção produzida pelo amor de Deus, para os que foram eleitos nEle, a respeito da verdade de suas promessas e da fidelidade de Cristo.

Esta fé que estar na epístola dos Hebreus institui como uma convicção sobrenatural, uma segurança sólida, inabalável, e contrária à natureza humana. Sendo assim, um dom de Deus e sem nenhuma garantia ou decisão humana, pois, a capacidade de compreensão da realidade espiritual é imperceptível ao homem natural, uma vez que, para eles, as obras do Espírito Santo de Deus são absurdas de serem entendidas (1Coríntios 2.14). Dessa forma, fé é um dom de Deus a qual temos a convicção de que o sacrifício de Cristo na cruz foi o meio de Propiciação dos nossos pecados e estar inerente a natureza humana.

Concomitantemente, na carta aos Romanos, o apóstolo Paulo assevera: “Porque no Evangelho a justiça de Deus se revela, de fé em fé, como está escrito: ‘Mas o justo viverá pela fé’” (1.17), Dessa maneira, sua justiça nos é dada para que sejamos justos diante dele. É o dom de Deus, pelo qual o Senhor declara que somos justos, ainda que em nós mesmos não o sejamos. Sobre isso Lutero preceitua:

[Paulo] diz que eles são todos pecadores, incapazes de glorificar a Deus. Eles devem, porém, ser justificados pela fé em Cristo, que mereceu isso por nós, através de seu sangue, e tornou-se para nós o trono de propiciação [compare com Êxodo 25.17; Levítico 16.14-15; 1 João 2.2] na presença de Deus, que perdoa todos os nossos pecados anteriores. Ao fazê-lo, Deus prova que é somente a sua justiça, que ele nos outorga mediante a fé, que nos ajuda, justiça que, no tempo determinado, foi revelada por meio do Evangelho e, antes disso, testemunhada pela Lei e os profetas (Sola fide, p.06...)

Pois, para Martinho Lutero, a fé é simplesmente tomar posse de Cristo. É receber o que Cristo fez. A doutrina da justificação pela fé é o tema principal da carta do apóstolo Paulo aos Romanos, isto porque, o referido apóstolo gostaria de fazer de Roma uma base missionária para evangelizar a Europa, então ele sistematiza as principais doutrinas do cristianismo para alcançar tanto os judeus quanto aos gentios convertidos ao cristianismo. Percebe-se que a carta aos Romanos é a mais enfática concernente a justificação pela fé. Pois, Paulo concluiu que “o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (3.28). Deus redimiu o ser humano por meio da fé e não de obras. (Gálatas 2.16; Filipenses 3.9; 1 Timóteo 1.9).

Complementa Machen J. Gresham, sobre a fé que o apóstolo Paulo preceitua na carta supramencionada:

“A fé sobre a qual Paulo fala e, como ele mesmo diz, uma fé que age por meio do amor; e o amor é o cumprimento de toda a lei... A fé a qual Paulo se refere quando fala de justificação pela fé somente é uma fé que age.”

Somente pela fé que somos justificados

O meio de justificação é, portanto, mediante a fé, é um dom de Deus e não vem de obras para que ninguém se glorie (Efésios 2.8). Em Romanos, o apóstolo Paulo diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (3.28), portanto, o meio de justificação é mediante a fé. Em concordância o referido apóstolo fundamenta a doutrina da justificação somente pela fé, pois, somos justificados mediante a justiça imputada por Cristo, visto que, Jesus morreu por causa da nossa transgressão e ressuscitou por causa da nossa justificação (Romanos 4.23-25).

Visto que, somos justificados mediante a fé na pessoa e obra de Cristo, sendo, a fé apenas o instrumento que justifica, uma vez que o justificar é Deus, mediante Cristo. Sendo assim, a justiça de Deus é revelada a nós por meio da pessoa e obra de seu Filho único (Romanos 1.16,17). O apóstolo Paulo deixa claro que a justiça de Deus é imputada ao homem mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem, sem distinção de etnias (Romanos 3.22). Essa justificação é gratuita, ou seja, pela graça, não é algo produzido pelo homem, mas uma ação iniciativa, conclusiva e exclusiva de Deus, mediante a obra de Cristo na cruz.

Portanto, a justificação é somente pela fé e nada podemos fazer para iniciar esse processo. Não temos esse poder e estamos escravizados. Nada temos com que contribuir para nossa salvação. Pois, Cristo foi e é as boas novas de Deus que foi revelado em sua Santa palavra e quem crê nele será salvo mediante a fé. Configurando, dessa maneira o meio pelo qual somos justificados. Uma vez que a justificação é um ato unilateral de Deus, se baseia na obra completa de Cristo, e assim estamos assegurados de que nossa salvação procede exclusivamente do ato propiciatório de Jesus para remição de nossos pecados através da fé sobrenatural que temos no Deus pai.

Que sejamos eternamente gratos por essa tão benevolente graça alcançada. Façamos como Edward Mote (1797-1874) que de forma belíssima demonstra sua fé em Deus, bem como, uma confiança pessoal em Cristo como Salvador e Senhor, incluindo uma rendição da alma a Cristo, pois, afirmou: “Em nada ponho a minha fé”

Em nada ponho a minha fé,
senão na graça de Jesus;
no sacrifício remidor,
no sangue do bom Redentor.
A minha fé e o meu amor
estão firmados no Senhor,
estão firmados no Senhor.
Quando a trombeta ressoar,
Irei com ele me encontrar
e com os salvos cantarei
louvor eterno ao grande Rei!
Vestido somente em sua justiça,
sem culpa estarei diante do trono;
Sobre Cristo, a Rocha sólida, eu me firmo;
todos os outros terrenos são areia movediça

Mysia Rebeca
__________________
REEVES, Michael; CHESTER Tim. O Sola Fide ainda é importante!: A Justificação é pela fé somente?. São Paulo. Editora Fiel, 2017. p.06.
GRESHAM, Machen , J. What is faith? New York: Macmillan, 1925. p. 203.
MACARTHUR JR, John F. O Evangelho Segundo os Apóstolos; papel da fé e das obras na vida cristã. São Paulo. Editora Fiel, 2010.



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