O texto mais conhecido do livro de Eclesiastes provavelmente é o que se encontra no capítulo 3:1-8; que aborda a relação do tempo com...

“Sorri diante do futuro”

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O texto mais conhecido do livro de Eclesiastes provavelmente é o que se encontra no capítulo 3:1-8; que aborda a relação do tempo com vários eventos da vida. O texto começa dizendo:

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1)

Essas primeiras palavras nos deixam, ao menos, dois questionamentos:

Quem determinou o tempo das coisas acontecerem? De quem são esses propósitos que há um tempo para sua realização?

Como fica notório em toda a Bíblia, a resposta para estas duas perguntas é Deus. Há um tempo para todos os propósitos de Deus para a sua criação, não necessariamente os nossos propósitos, mas o próprio Deus dividiu o tempo e determinou os eventos que se sucederia dentro dele. A criação e a nossa própria vida não estão entregue a um destino cego ou a forças aleatórias. Alguém inteligente, amoroso e extremamente poderoso dividiu as estações das nossas vidas, não conforme nossos sonhos terrenos, mas de acordo com Seus propósitos eternos.

Há um tempo para tudo aquilo que Deus estabeleceu que acontecesse. Mas alguém pode questionar com que direito Deus faz isso. Deus é um Ser soberano, e tudo o que existe pertence a Ele. É isso mesmo! TUDO! Você também e a vida que você chama de sua pertence a Ele. O Salmo 24:1, deixa isso muito claro:

“Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam.”

Nós amamos a soberania de Deus, até que ela se choque com os nossos planos, até percebermos Deus balançando a cabeça em sentido negativo aos nossos apelos de: “Faz do meu jeito, por favor, Deus!”. Até começarmos a questionar o porquê Deus não está usando o Seu poder para nos ajudar naquilo que planejamos. Nos comportamos como se o tempo fosse nosso, como se nós tivéssemos o poder para dividir as estações e determinar quando cada evento deve acontecer, e, é na ruína dos nossos planos que aprendemos, de fato, que não temos controle de absolutamente nada.

Há dois erros comuns quando se trata da relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana: 1. A soberania divina em detrimento da responsabilidade humana; 2. A responsabilidade humana em detrimento da soberania divina. Qualquer ensino que não considerar essas duas verdades como reais e práticas pode levar a erros comprometedores. Nesse assunto entra a difícil questão do “concursus”, um termo latim que significa “concorrência” ou “cooperação”. O concursus está ligado diretamente ao modo como Deus opera para que os seus propósitos providenciais sejam devidamente realizados no universo em geral e na vida de suas criaturas em particular. Para Deus preservar, sustentar, dirigir e governar o mundo torna-se necessária a sua participação em todos os eventos e decisões, a fim de que todos os seus decretos sejam cumpridos. O concursus exige duas partes ativas, duas partes operando, com exceção das operações absolutamente imediatas de Deus, todas as outras são efetuadas numa cooperação entre os agentes livres e Deus. O doutor Heber Campos, define concursus como:

“... o suporte contínuo de Deus para a operação de todas as causas secundárias (sejam elas livres, contingentes ou necessárias), para o cumprimento de Seus santos propósitos”1

Esse é um assunto extremamente complexo. Há inúmeros livros que o abordam e ainda assim não conseguem ser exaustivos, e eu, ao tocar nesse assunto, nesse texto, tenho a intenção apenas de reafirmar a verdade de que Deus decretou os eventos de Seu mundo, mas ainda assim, não somos robôs, temos livre agência. E é com essa livre agência que nos relacionamos com os acontecimentos e com o tempo em que eles acontecem. O futuro, por exemplo, é algo que nos deixa intrigados, por que não sabemos o que nos espera mais a frente.

Em todas as épocas as pessoas sempre desejaram conhecer seu futuro antes que ele se efetuasse. O que faz as pessoas olharem para a página do jornal que trata de signos? Por que as pessoas pagam altas quantias às cartomantes? Por que há igrejas superlotadas e nem ao menos pregação da Palavra de Deus existe, mas apenas pessoas “entregando profecias”? Tudo isso mostra as formas humanas que inventamos para sanar nossa curiosidade quanto aos dias que virão. E sobre isso, a virtuosa mulher descrita pela mãe do rei Lemuel em Provérbios 31.10-31, tem a nos ensinar.  

Na altura do versículo 25, o texto diz que essa mulher sorri diante do futuro, e essa é uma forma poética de dizer que ela não se preocupa com o que está por vim. Isso pode parecer intrigante para nós, principalmente quando estamos abatidas e tendemos a olhar para o futuro com amargura, ansiedade, agonia, desespero e frustração. 

A maior qualidade dessa mulher é que ela é temente ao Senhor. Todas as demais qualidades fluem dessa; sua diligência, esforço, dignidade, honra, respeito... São louváveis porque estão em sintonia com o Seu Deus. E é por essa mesma razão que ela não se preocupa com o futuro. Ela trabalha arduamente para construir sua casa na Rocha, não importa a chuva, os ventos; ela está segura, seu coração está firme em Deus.

A razão por que tememos o futuro e reclamamos da vida com amargura não são nossas circunstâncias, mas nosso coração pecaminoso, que é incrédulo e mal agradecido. Porque quando nos agarramos com fé a verdade de que Deus governa tudo e que Ele tem boas intenções para conosco, porque quer o nosso bem, nós olhamos para nossa vida com reações diferentes, nós respondemos com gratidão, dependência e louvor a Deus.

Deus escreveu uma história para cada uma de nós, e Ele mesmo agendou quando cada evento se realizará, mas em um calendário que somente Ele vê. Nosso futuro depende do cuidado de Alguém que não dorme, porque se ficasse ao nosso próprio controle, poderíamos vacilar e colocar tudo a perder, mas Deus não se cansa e nunca vacila.

Se você está em Cristo, você pode sorrir diante do futuro, se não for o futuro próximo, com certeza poderá sorrir diante daquele futuro que se encontra na eternidade, estando certa de que “... os sofrimentos do presente não se podem comparar com a glória que em nós será revelada.” (Rm. 8.18)


Sonaly Soares
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Heber Carlos de Campos – O ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização na história. 



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