Certo dia, a autora Rebecca Jones se deparou com uma pergunta que a sua cabeleireira Jakki lhe fez. Jakki perguntou: "O que é um...

Deus te fez mulher

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Certo dia, a autora Rebecca Jones se deparou com uma pergunta que a sua cabeleireira Jakki lhe fez. Jakki perguntou: "O que é uma mulher?”

A partir desta pergunta comecei a refletir no quanto ela ainda pode estar presente na mente de muitas pessoas em nossos dias, e comecei a me questionar o porquê de termos dúvidas quanto a isso. Pois se fizéssemos essa mesma pergunta em algumas décadas passadas, as pessoas não teriam dúvidas, elas saberiam de prontidão o que significa ser um homem ou uma mulher e sobre as responsabilidades que a cada um compete. Como afirma Elisabeth Elliot:

"Ao longo dos milênios da história feminina... as pessoas tomaram por concedido que a diferença entre homens e mulheres era tão óbvia que não necessitava nenhum comentário. Elas aceitaram as coisas como estavam, mas nossas fáceis pressuposições têm sido atacadas e confundidas, temos perdido nossos referenciais em uma nuvem de retórica sobre algo chamado igualdade, de modo que me acho na desconfortável posição de ter de ensinar de novo para pessoas instruídas o que antes era perfeitamente óbvio ao mais simples camponês."

Sabemos que aconteceram muitas modificações no pensamento das pessoas porque aconteceram revoluções nas gerações sobrevindas, e a cada tempo que se passa se torna mais difícil saber de fato a diferença entre um homem e uma mulher, por causa dos contextos que nos antecederam e os que estamos inseridas.

Existem muitas vozes nos dizendo o que devemos ser ou fazer como mulheres, e nesse ínterim, a quem ouvir? A quem recorreremos diante desta confusão de masculinidade e feminilidade? Quem poderá responder à pergunta de Jakki, sobre o que é uma mulher? Rebecca Jones reitera este pensamento quando diz:

"A mulher cristã sabe que não pode confiar apenas no conselho humano. Deste modo, ela procura a Bíblia para encontrar sua definição de feminilidade."1

Só existe uma pessoa que pode responder esta pergunta: Deus. Pois foi Ele quem nos criou! Somente Aquele que nos deu vida é capaz de nos ensinar como viver. Somente Aquele que nos criou pode nos ensinar o que precisamos saber sobre o que significa ser mulher! Não precisamos olhar à nossa volta em busca da nossa identidade, Deus já nos revelou em Sua Palavra tudo o que Ele queria que nós fôssemos quando nos criou mulheres!

Sendo assim, atentaremos para duas questões que a Bíblia nos mostra sobre esse assunto, para descrevermos o que nós, mulheres, precisamos saber sobre nós mesmas:

1. Ela é igual e diferente do homem
Existem aspectos em que homens e mulheres são iguais, e aspectos em que eles são diferentes. Como exemplo de que são iguais, temos o de que ambos são obra das mãos do Criador. E também, o de que ambos são honrados por portarem a imagem e semelhança Dele. No princípio, quando Deus criou todas as coisas, Ele fez o homem de forma distinta de toda a ordem criada: Ele o criou segundo a sua imagem e semelhança!

"Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou." (Gn 1:27, destaque meu)

Não apenas o homem, mas a mulher também foi criada à imagem de Deus. Homens e mulheres são valorizados por possuírem o que não existe em nenhuma outra criatura de todo o Universo: a imagem e semelhança do Criador.

"Ser criado à imagem de Deus significa que eram como Deus e representavam Deus na terra. Isso implica que homens e mulheres têm igual valor para Deus e merecem honra e respeito iguais. Eram também iguais em personalidade, possuíam as caraterísticas que tornam alguém verdadeiramente humano [...]. E Adão e Eva eram de igual importância para a raça humana e para Deus. A raça humana, e o plano de Deus para ela, não ia adiante se qualquer um deles faltasse!"2

Nenhum dos dois pode dizer que é superior ao outro, pois ambos são obra das mãos de Deus, possuindo uma personalidade que os identifica como humanos, dignidade e valor aos olhos divinos e importância para a raça humana.

Além disso, Deus permitiu que homens e mulheres participassem dos Seus propósitos eternos, os concedendo papéis indispensáveis, tanto na masculinidade como na feminilidade. Nesse sentido, eles são diferentes: nos papéis que receberam, além dos seus próprios gêneros e essências. Homens e mulheres são diferentes! Tentar mudar isso é querer alterar o design perfeito do Criador.

2. Ela não pode tomar o que não é próprio da sua feminilidade
Feminilidade, assim como masculinidade bíblica, são assuntos vastos e complexos para serem trabalhados em apenas um tópico (se você quer conhecer mais sobre esses assuntos, veja as nossas séries: "O que tem nela que falta em mim" e "O que tem nele que falta em mim"). O que precisamos entender nesse momento é que, como mulheres, devemos nos conformar com aquilo que nos compete ser: mulheres!

O feminismo nos trouxe muitas vantagens, como conceder-nos direitos que precisávamos ter como integrantes da sociedade. Isso foi benéfico para as mulheres num contexto de desvalorização em que viveram em diferentes épocas e culturas. Com o decorrer das décadas, porém, o feminismo tem mudado e também se dividido, de modo que a luta por igualdade de direitos se tornou uma luta por igualdade de homens e mulheres em todos os sentidos, e a cada tempo que se passa se torna mais difícil entender o que é ou não uma mulher, como Rebecca Jones escreve, o feminismo esvaziou nossas definições de sexualidade, e "se não sabemos o que é uma mulher, defender seus direitos se torna arriscado."1

Além disso, características que eram comuns da sociedade em toda a história humana, viraram sinônimos de tradicionalismo, podendo ser descartáveis por opção, como o casamento, a maternidade e o ser dona de casa. Eis o que diz uma declaração feminista de 1971:

"O fim da instituição do casamento é necessário para a libertação das mulheres. Portanto, é significativo para nós encorajar as mulheres a deixarem seus maridos e não viverem individualmente com homens."

Apesar de todas estas "conquistas", a verdade é que as mulheres do século XXI continuam infelizes. O feminismo não conseguiu lhes trazer a satisfação que tanto buscavam e que pensavam que não a tinham porque eram donas de casa, esposas e mães. E essa busca continuará, a satisfação nunca virá, enquanto não a buscarmos além de nós mesmas e deste mundo, ou seja, em Deus. Somente quando abrirmos mão da nossa vontade poderemos experimentar aquela que é "boa, agradável e perfeita" (Rm 12:2). Ao aceitarmos a nossa feminilidade encontraremos o propósito pelo qual existimos. Não precisamos de nada mais para encontrarmos o nosso valor - Ele já foi mostrado por Cristo. Somos amadas com amor eterno, fomos compradas com um preço infinito de sangue, e podemos encontrar a fonte da felicidade sempre que a buscarmos, de que precisamos mais?

Todas as criaturas de Deus O louvam por serem o que são. Não deveria ser diferente conosco, mulheres. Por isso, exultemos no Criador naquilo que somos, entregando a Ele as nossas vidas, vivendo o que Ele quer que sejamos, e Ele quer que sejamos mulheres!

Thayse Fernandes
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1 JONES, Rebecca. A mulher segundo a Bíblia: O cristianismo oprime as mulheres? São Paulo: Cultura cristã, 2009.
2 GRUDEM, Wayne.  Confrontando o feminismo evangélico: Respostas bíblicas para perguntas cruciais. São Paulo: Cultura cristã, 2009.



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