Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.   (Jo 17.3)

Uma seara temida

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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.  (Jo 17.3)

Eu conheci a Cristo no Ensino Fundamental, através de dois colegas de turma. Eles não se cansavam de falar de Jesus de forma tão maravilhada e não hesitavam em gastar o tempo do intervalo das aulas para explicar algumas coisas que eu ainda não entendia. A disposição e paixão daqueles jovens fez com que eu quisesse conhecer a Jesus de perto, de verdade. No Ensino Médio nós nos separamos, mas neste período comecei a perceber como o Evangelho é necessário em todos os níveis da sociedade, inclusive, no âmbito estudantil. Assim, com ajuda de alguns colegas, continuei a fazer o mesmo que aqueles dois me ensinaram: Viver e falar de Jesus no meu ambiente de estudo.

Quando ingressei na universidade, encontrei uma realidade totalmente distinta, estava cercada de pessoas diferentes, de faixas etárias diferentes. Como eu poderia falar de Jesus para aqueles estudantes tão diferentes e que eu nunca tinha visto na vida? No início, eu não sabia da existência de nenhum grupo de estudo bíblico, evangelismo, ou algo do tipo, então, era difícil fazer algo sozinha. Depois de quase um ano na universidade, percebi que poderia compartilhar o evangelho através do meu testemunho pessoal, mas que mesmo assim, ser cristã no meio acadêmico às vezes resultaria na incompreensão e rejeição por parte de alguns colegas. Um dia, através de um estudante de outra universidade, conheci um movimento estudantil cristão, do qual hoje faço parte. Com o apoio de outros estudantes e missionários, tenho aprendido a compartilhar o Evangelho, viver em comunhão e a ser fortalecida na fé no meu campus. 

É comum pensarmos na universidade como um ambiente hostil e até termos um certo receio de dizer que somos cristãos. Muitas pessoas acreditam que não estão preparadas o suficiente para falar sobre sua fé, pois temem algum tipo de objeção, outras pessoas se envergonham diante do que alguns, intitulados de cristãos, têm feito por aí afora, e outros simplesmente abandonam sua fé diante da primeira faísca de dúvida. Não podemos ignorar que há desafios morais e intelectuais a serem enfrentados, por isso, deve haver preparação, como pontua Valmir Nascimento:

“Em verdade, o campus deve ser considerado um campo de batalha, razão pela qual o cristão precisa estar preparado antes de entrar nesse combate, sob a pena de sair morto ou ferido espiritualmente. Esse preparo deve envolver uma educação cristã abrangente que contemple, além do ensinamento das doutrinas espirituais básicas, a formação de uma cosmovisão eminentemente bíblica e o treinamento em apologética cristã, e requerer o envolvimento dos pais, da liderança eclesiástica e o interesse dos jovens cristãos.”¹

Mas, o que a igreja tem a ver com a academia? Por que eu preciso anunciar a Cristo na universidade? Talvez você possa pensar nisso de forma mais clara se considerar que seus colegas, os estudantes estão perdidos sem Cristo (Rm 3.23); Jesus ordenou que pregássemos (Mt. 28.19-20) e o evangelho é digno de ser pregado (Rm 1.16). Por causa de Cristo e para a glória dEle, podemos viver e anunciar a boa nova da salvação! Além disso, podemos olhar para a história e ver o quanto Deus agiu através de estudantes comprometidos com a sua palavra. Olhe para a Reforma Protestante (1517), o Clube Santo (1729), organizado por John Wesley em Oxford, o Cambridge Seven (1885), formado por estudantes que serviram como missionários na China e tantos outros. Não pense no que você pode fazer, mas no que Deus pode fazer através de você.

Além da necessidade da pregação do evangelho nos campi, há uma questão que é também estratégica. Há cerca de 8 milhões de estudantes universitários em nosso país, se você quer juízes, professores, médicos, jornalistas, engenheiros e tantos outros profissionais e formadores de opinião mais justos, misericordiosos, responsáveis, humanos, etc., é importante compreender que o lugar onde eles estão sendo formados é completamente oportuno para que ouçam a mensagem do Evangelho transformador de vidas. Você não precisa temer o trabalho nesta seara, Cristo disse que estaria conosco até o fim. O lugar que você está agora ao qual dedica boa parte do seu tempo, seja ele a universidade, seu trabalho, sua família, ou qualquer outro, é um campo missionário.

O mundo acadêmico, mesmo com suas agruras, é uma seara possível. Tenha sempre em mente a sua dependência de Deus “porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção...” (1 Ts 1:5); seja um discípulo de Cristo, um exemplo para as outras pessoas “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” (1 Co 11.1); esteja com os cristãos da sua universidade para que juntos se fortaleçam na fé, “procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz...” (2 Co 13.11) e encoraje outras pessoas a assumir a responsabilidade de anunciar o evangelho “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros.” (2 Tm2.2)

Se você é cristão e está de alguma forma envolvido com a universidade, lembre-se que o campus é seu campo. Ame a Deus sobre todas as coisas e siga a direção dEle como um instrumento em Suas mãos, esteja disposto a viver em comunidade e aproveite todas as oportunidades que surgirem para “responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1 Pe 3.15). Interaja com as pessoas e com a cultura, não buscando se conformar, mas sendo um agente transformador da cultura, sujeitando tudo a Cristo. Ame as pessoas e não as veja apenas como seu “alvo evangelístico”, todo mundo tem uma história, dilemas, dúvidas e muitos estudantes querem apenas ser ouvidos, esteja disposto e construa amizades verdadeiras. Quando perguntaram a D.A Carson sobre algumas ações práticas de missões na universidade, ele respondeu:

“Talvez a coisa mais importante a ser reconhecida é que a maioria dos estudantes não-cristãos de hoje provavelmente não participará de estudos bíblicos e ainda menos de grandes reuniões cristãs públicas, a menos que sejam pessoalmente convidados por alunos cristãos que conheceram e nos quais confiam. Isto significa que a maior parte das missões universitárias se provam mais frutíferas quando há alunos cristãos ativos no campus fazendo amizades com descrentes e convidando-os para fazerem coisas juntos. É claro que há muitos outros fatores que contribuem para que as missões universitárias sejam frutíferas, mas esta única e simples observação é frequentemente negligenciada.” ²

Observe a transcrição do áudio de um vídeo que é um dos meus preferidos:

"Ele [Jesus] simplesmente tinha amigos, seguidores, estudantes, homens simples, homens comuns, marginalizados, donas de casa, estrangeiros... Ainda assim sua mensagem cresceu, não pela publicidade, nem vídeos virais, nem política. Não havia imprensa, nem telefones, nem internet, nem televisão [...] apenas pessoas dizendo o que Ele disse, ensinando o que Ele ensinou, fazendo o que Ele fez. Vivendo como Ele viveu. Anos depois sua mensagem ainda cresce. E cresce..."³

Deus tem seus meios e age de formas que nem sempre entenderemos. Seus planos nunca poderão ser frustrados e a Palavra do Senhor nunca estará presa. Na universidade e em qualquer outro lugar do mundo, Cristo está conosco! Que gastemos/aproveitemos a nossa vida, recursos, forças e tempo em conhecê-lo cada vez mais e torná-lo conhecido.


Juliany Correia
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¹NASCIMENTO, Valmir. O Cristão e a universidade. Editora CPAD, Rio de Janeiro – RJ. 1ª edição, 2016.



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