“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro.” 1 Timóteo 6.6

Consumismo: um culto imediatista

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“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro.” 1 Timóteo 6.6

Vivemos numa sociedade cuja mentalidade pós-moderna contemporânea acarretou um colapso na propagação da Verdade absoluta devido ao subjetivismo apregoado, pois, uma vez propagada de maneira relativa promoveu uma cultura narcisista e egocêntrica. Com os avanços tecnológicos impulsionando de forma acessível qualquer tipo de informação, criou-se uma cultura consumista cujo culto é entre “o ter” e “o querer” de forma imediata.

Simultaneamente, vislumbramos essa cultura consumista afetando também a igreja. Isso porque, a partir do momento que ouvimos declarações néscias, tais como: “eu declaro”, “eu decreto que Deus faça isso ou aquilo”, ou o uso a passagem do apóstolo Paulo de Filipenses 4.13: “tudo posso naquele que me fortalece”, como pretexto para satisfazerem seus egos consumistas e agindo assim, esquecem-se do que consiste o verdadeiro Evangelho. Assim, renunciam seguir a Cristo por amor e obediência, para fazerem do Senhor uma espécie de mordomo a fim de que tocando na campainha da oração o Senhor possa realizar todos os seus caprichos consumistas, egoístas e imediatistas.

Entretanto, como igreja e participante dos sofrimentos de Jesus, não devemos nos amoldar à esta cultura vil, como também não podemos permitir que seus dogmas consumistas sejam sutilmente agregados em nossas igrejas. Mas, nossa missão deve ser lutar e renunciar qualquer tipo de “evangelho” antropocêntrico e imediatista. Para isso precisamos arraigar em nossos corações o versículo supracitado do apóstolo Paulo, pois quando ele instruiu o jovem Timóteo a se alegrar com piedade na salvação de Cristo como fonte de lucro, afirmou que nós, seguidores do Cordeiro de Deus, devemos permanecer alegres, porque nossas necessidades serão atendidas conforme a perfeita, agradável e boa vontade de Deus. 

Dessa forma, cremos, como cristãs, que o nosso culto prestado ao Senhor deve ser genuinamente Cristocêntrico, pautados na obediência, amor e zelo das Sagradas Escrituras. Temos a consciência de que podemos utilizar de todo material disponível ao nosso consumo, desde que seja de forma lícita e moral. Dessa maneira, destaco três aspectos de como devemos nos orientar a respeito dessa cultura consumista e seu culto imediatista, são os seguintes:

Em nossa comunidade

“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.” 2 Coríntios 8:9

Quando participei de um dos projetos missionários de minha igreja, andando pelas ruas do estado onde estava sendo realizado o referido projeto, pude ver inúmeras propagandas do tipo: “ministério fulano de tal, venha hoje garantir seu milagre, sua cura, e o dinheiro caindo em sua conta bancária” e, à medida que andávamos por essas ruas, víamos cada vez mais propagandas deste tipo. É lamentável o cenário que a igreja brasileira está vivendo! O evangelho pregado por essas pessoas tornou-se antropocêntrico. A cultura do ‘ter’ e do ‘querer’ extrapolou todos os limites aceitáveis e invadiu a igreja, por isso, muitos caem nessas armadilhas, prestam um culto baseado na cultura consumista, cujas petições devem ser realizadas instantaneamente.

Entretanto, quando o maior exemplo de Servo veio ao mundo, deixou toda a sua glória e riqueza para se tornar um humilde ser humano. Cristo foi o maior exemplo de altruísmo e servidão, pois sua única e genuína mensagem era propagar o Reino de Deus. O Cordeiro imaculado abdicou de seu trono por amor a nós! Se hoje você vislumbra o Senhor como seu único Salvador, então viva de maneira que o glorifique, viva para propagar a mensagem redentora de seu Evangelho e viva para renunciar esse tipo de “evangelho” consumista e imediatista. Querida leitora, que você seja vista em sua comunidade com o “sal da terra e luz do mundo”, portanto, pregue sempre a cruz de Cristo!

Nosso testemunho

“Mais bem aventurado é dar do que receber” (Atos 20.35)

Quando Cristo nos libertou da condenação eterna, ficamos como os que sonham! A alegria da salvação é inigualável, assim, nosso caráter passou a ser moldado pelo exemplo de servidão do Filho de Deus, e não encontramos nessa cultura pós-moderna o contentamento. Vivemos para a glória de Deus, dessa forma, utilizamos toda a criação de bens materiais para beneficio próprio e de nossos irmãos. Portanto, consuma com equilíbrio o que lhe for acessível, se você dispõe dos mais sofisticados avanços tecnológicos, use de forma que não afete sua moral e nem transcorra uma ilicitude, proporcione aos mais necessitados mecanismos de suporte e consuma o que lhe for necessário, não perca seu tempo com atividades que não somarão ao seu caráter. Deus quer que exercitemos nossos dons para o bem de todos, assim como assevera o versículo supracitado.

Nosso relacionamento com Deus

“Confia no Senhor e faze o bem, habita na terra e alimenta-te da verdade” (Salmos 37.3)

Na contemporaneidade, o consumismo se tornou uma espécie de culto imediatista que propaga uma mensagem antropocêntrica, e assim muitos deixam de cultuar a Deus por amor e obediência para fazerem por barganha. Não encontram prazer nas suas palavras de amor e misericórdia, mas por medo ou por necessidade fazem uma espécie de “comércio espiritual”, ou seja, “se Deus fizer isso ou aquilo para mim, darei isso ou aquilo para a igreja ou a algum irmão”: Barganham com o poder de Deus e, mais uma vez, vislumbramos um quadro lastimável. Todavia, o que agrada a Deus é um coração contrito e quebrantado para prestar um culto racional ao verdadeiro Salvador e repudiar esse tipo de comportamento.

Sabemos que o Senhor se agrada quando direcionamos nossas vidas para uma adoração sincera e genuína ao verdadeiro Evangelho, o de Jesus Cristo. Assim, devemos ter uma vida dedicada a Deus e nos submetermos às Escrituras como alimento espiritual, crendo na promessa da benção eterna, pois nela há plena satisfação. Portanto, que nosso estilo de vida cristã seja pautado no temor, humildade e coração quebrantado.

“Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em Ti.” Santo Agostinho¹

Mysia Rebeca
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¹Confissões, capítulo I, n, 1.



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