O coração humano é facilmente atraído pelo dinheiro, por causa do que podemos possuir através dele. Sempre estamos em busca de ter coi...

A armadilha do consumismo

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O coração humano é facilmente atraído pelo dinheiro, por causa do que podemos possuir através dele. Sempre estamos em busca de ter coisas e mais coisas, e isso vai além de conseguir apenas as nossas necessidades supridas. Principalmente nós, mulheres, somos bombardeadas por uma cultura que nos leva a acreditarmos que para sermos aceitas temos que estar de acordo com a última moda, como as mais sofisticadas possíveis. Cabelo, unha, maquiagem, sobrancelha, roupas, bolsas, sapatos... E tantas outras coisas, chegando até a esgotar nossa energia somente para conseguirmos dar conta (por isso dizem, com razão, que mulher gasta muito! rsrs).

Compramos aquilo que não é bem o que necessitamos, por estarmos imersas em uma cultura consumista e imediatista. Promoções inéditas, preços de liquidação, descontos exclusivos e vários outros atrativos mercadológicos costumam fazer parte das propagandas como tentativa de fisgar o nosso desejo pelo consumo, com a promessa de que aquilo é o melhor para adquirirmos por nos conceder qualidade e, quando não, felicidade.

Adquirimos um celular, no outro ano vemos que já se tornou obsoleto diante dos constantes avanços tecnológicos. Isso significa que sempre terá algo novo para consumirmos ou mais aprimorado do que o que já temos. E assim, almejaremos insaciavelmente mais e mais.

De antemão, não é pecado possuir coisas. O pecado ocorre quando colocamos nessas coisas o nosso coração. Qualquer coisa onde colocamos o nosso coração que não seja Cristo é um ídolo, e idolatria é pecado.

Somos propensas a idolatrar os nossos bens! É por isso que o Senhor Jesus afirmou que era muito difícil um rico entrar no reino dos céus. Não necessariamente por ele ser rico, mas pela facilidade que tem de fazer das riquezas o seu deus¹.

Não podemos ter dois deuses. O nosso Deus requer exclusividade. Ou Ele é o nosso tudo, ou o nosso nada.

“Ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro; será dedicado a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.” (Mt 6:24) 
O Senhor quer ser o nosso único Deus. Para isso, não podemos nos deixar ser dominadas por qualquer outra coisa que não seja Ele mesmo. Não podemos nos deixar ser levadas pela maré do consumismo e pela exaltação do “ter” presentes em nosso tempo.

Ao invés de andarmos inquietas com o que temos ou queremos ter, o Senhor quer nos ensinar a estarmos contentes Nele, independente da situação. O apóstolo Paulo nos relata que ele aprendeu a viver assim (Fp 4:11-12). Logo, ele não era naturalmente contente. O contentamento é um aprendizado que desenvolvemos em nossa caminhada cristã, à medida que aprendemos a depositar no Senhor toda a nossa afeição e confiança. Quando isso acontece, Ele se torna a nossa satisfação e não precisaremos estar buscando coisas para nos sentirmos um alguém. Estaremos realizadas Nele.

Precisamos aprender a parar de olhar para o que não temos e atentar para o que já recebemos no Senhor. Ele nos concedeu vida, e vida eterna. Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais através de seu Filho (Ef 1:3). De que mais precisamos? Se temos tudo o que o ouro e prata não é capaz de comprar, de graça e de maneira abundante em Cristo, podemos sim viver contentes. Ademais, o Senhor não tem deixado de suprir todas as nossas necessidades. Ele nunca nos deixou faltar nada. Se temos o que comer, beber, vestir, onde morar e pessoas para amar, deveríamos render gratidão a Ele todos os dias, por termos muito mais do que merecemos. Olhemos para tudo o que o Senhor já nos concedeu e aprendamos a ser gratas e contentes.

“Mantenha sua vida livre do amor ao dinheiro e fique contente com o que você tem, pois ele disse: 'Eu nunca te deixarei, nem te desampararei'” (Hb 13:5).
Sempre terá alguém que parece ser mais feliz, com o cabelo mais bonito, com o corpo mais modelado que o nosso, com o marido ou filhos que gostaríamos de ter, etc. Não podemos permitir que a armadilha da comparação nos prenda em seus emaranhados hostis. A autora Lysa TerKeurst escreveu que em determinado momento de sua vida se sentiu dessa forma:

“Eu permiti que essas comparações e a ansiedade que elas geraram afetassem negativamente meus relacionamentos, meu humor e minha confiança em correr atrás dos meus sonhos.  A verdade nua e crua é que a comparação rouba a alegria. E uma vida sem alegria é uma vida vazia. Paramos de comemorar nosso próprio bem e temos problemas em comemorar o bem dos outros.”²
Uma vida de comparação é uma vida vazia. Vazia de alegria e de significado. A autora continua:

“Quando eu desejo a vida de alguém, gasto a energia vital limitada que usaria para enfrentar meus próprios desafios e oportunidades.”²
Que a nossa concentração esteja em nossa própria vida, não nos que os outros têm. Repito: temos muito mais do que merecemos, através da graça!

O Senhor Jesus viveu uma vida semelhante à nossa para nos ensinar que os valores do seu Reino são diferentes dos deste mundo. Ele que, sendo Deus, se fez carne e se humilhou até a morte de cruz (Fp 2:6-8). Nasceu e viveu de uma maneira simples e humilde, passando por privações físicas e materiais. Ele, o Senhor da glória, não tinha prata, ouro, ou qualquer outra riqueza deste mundo, para nos ensinar que a verdadeira riqueza se encontra nas coisas eternas, não nas daqui.

Olhando para o Senhor Jesus e fazendo um paralelo com as nossas vidas, percebemos o quanto distantes estamos de ser como Ele. Não colocando expectativas nas coisas terrenas, mas vivendo integralmente em prol de fazer a vontade do Pai.

Ele nos ensinou que  tudo que há no mundo vai passar (Mt 24:35), inclusive, o que os homens construíram em suas vidas inteiras (Lc 12:20). Nada nos acompanhará quando dermos o nosso último suspiro. Portanto, não é sensato vivermos tão preocupadas com o que temos ou deixamos de ter, com o que consumimos ou não, com as aparências das pessoas ou com a nossa, mas, preocupadas em investir naquilo que a traça, a ferrugem e os ladrões não consomem (Mt 6:19-21).

“A vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ele possui.” (Lc 12:15)
Assim, amadas irmãs, guardemos o nosso coração!

“Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.” (Pv 4:23)
Vivamos de tal modo que revele que Deus é o nosso tesouro, e não o dinheiro. Administremos os nossos bens de maneira sensata, com um amor que cresce só por Jesus.

“Jesus, eu quero ser igual a Ti,
Quero amar o que Tu amas
Quero estar onde Tu estás,
E um coração igual ao Teu [...]
Santo Deus ajuda-me, a ser
Santo como Tu,
Puro como Tu és,
Simples como Jesus
Apenas como Jesus.”³

Apenas como Jesus! Não como este mundo nos chama a ser, não como o nosso coração pecaminoso deseja que sejamos, não como qualquer outra pessoa bem-sucedida aparenta ser... Queiramos ser diferentes, queiramos ser como o Senhor que serviu, como o nosso Deus, como Jesus!

Juntas, lutemos bravamente contra a armadilha do consumismo.

Thayse Fernandes

¹ Ricos também podem agradar a Deus, temos exemplos bíblicos de homens que amaram ao Senhor a despeito de seus bens: Jó (Jo 1:1-5), Abraão (Gn 13:2-4), José (Gn 41:38-44), Josafá (II Cr 17:1-6), Barnabé (At 4:31-37), etc. Não é o dinheiro a raiz de todos os males, mas o amor a ele (I Tm 6:10).
² TERKEURST, Lysa. Emoções sob controle: a arte de manter a cabeça no lugar até nos dias mais difíceis. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2014.
³ Simples como Jesus, de Daniel Alencar




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