Quando Cristo estava na casa de certo fariseu uma pecadora lavou os pés do Mestre com suas lágrimas e enxugou com seus cabelos, evento r...

Entender com a cabeça e com o coração

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Quando Cristo estava na casa de certo fariseu uma pecadora lavou os pés do Mestre com suas lágrimas e enxugou com seus cabelos, evento registrado no capítulo 7 do evangelho escrito por Lucas. Essa mulher esteve com a cabeça no lugar mais alto que um ser humano a pode colocar: aos pés de Cristo. Além de ser o lugar mais alto é também o único lugar onde a cabeça do homem pode não mais vaguear por vãs filosofias e repousar segura, de fato é apenas na fé Cristã que a razão humana encontra seu lugar. A Escritura Sagrada mostra que Deus é a única fonte epistemológica de caráter positivo, isto é, o conhecimento vem exclusivamente do Senhor, conforme diz Pv 2.6:

Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento;
Ao dizer que o conhecimento vem do Senhor, o Espírito Santo inspirando o sábio autor de Provérbios exclui todas as fontes que alguém quisesse apontar. De fato, por trás de toda ordem, harmonia e beleza que o universo manifesta está o Senhor como fonte primária se revelando, manifestando conhecimento.

O que levou a pecadora a tomar aquela atitude não foi simplesmente um raciocínio frio de alguém que analisava a Cristo e Seus feitos, o que a levou a fazer isso foi o grande amor que nasceu em seu coração por Aquele que havia perdoado os seus muitos pecados.

Submeter a razão aos pés do mestre não é apenas algo que acontece com a cabeça, é algo que se faz também com o coração, é um ato de amor àquele que perdoou muitos pecados. Não basta absorver intelectualmente o que significa a mensagem do Cristo, é necessário ter o coração aberto para entender com ele também.

Tome como exemplo aqueles que não tiveram os corações abertos, os opositores de Cristo em Marcos 12. Nesse capítulo é registrado Cristo transmitindo a chamada "parábola dos lavradores maus", nela, Cristo fala de um dono de terras que deixou sua propriedade aos cuidados de seus trabalhadores, os quais eram maus e matavam os conservos que lhes eram enviados, por fim eles matam ao próprio herdeiro da propriedade trazendo juízo sobre si mesmos. Os adversários do Mestre ali presentes entenderam aquela parábola, entenderam que Jesus utilizava a figura dos homens maus fazendo referência a eles, o texto diz:

E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se (Mc 12.12)
Eles absorveram intelectualmente a mensagem, mas esse conhecimento que adquiriram não operou em contrição pelos pecados, pelo contrário gerou neles a vontade de prender a Cristo, o desejo de concretizar aquilo que a parábola já denunciava: Que os lavradores maus se levantariam para matar o herdeiro. Aqui está o ponto: entenderam com a cabeça, mas não com o coração.

Decerto, o objetivo de Cristo ao ensinar por meio de parábolas foi atingido nesse registro em Mc 12; Cristo ensinava fazendo uso de parábolas não para que ficasse mais claro o entendimento, era justamente o inverso, ensinava por meio delas para que aqueles que não eram seus não entendessem. Não simplesmente não entendessem com a cabeça aquilo que o Mestre ensinou, mas para que não entendessem com o coração e assim não fossem sarados. Em um ponto anterior da narrativa de Marcos (cap. 4), Cristo esclarece o propósito de ensinar desse modo:

E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. (Marcos 4:11-13)
O propósito do Senhor ao enviar o profeta Isaías muitos anos antes do Cristo está em harmonia com o propósito do ensino por parábolas aos ouvidos daqueles que não eram do Cristo. Isaías foi enviado para que com sua mensagem corações não se convertessem:
Então disse ele: 

Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. (Is 6:9,10)
Os pensadores contemporâneos não compreenderão os devidos lugares da razão humana e do conhecimento enquanto não tiverem as cabeças atraídas em amor aos pés de Cristo. De fato eles são ignorantes da mais real e fundamental necessidade: amarem a Cristo. É muito significativo que o pai do pensamento ocidental seja notabilizado ainda hoje pela frase que lhe é atribuída: "Só sei que nada sei", tese apresentada por Sócrates em sua Apologia, diálogo platônico. Nela ele alegava ser apenas um ignorante e isso deveria o poupar das acusações de seus adversários. Embora afamado por declarar conhecer sua ignorância, ele era ignorante da sua mais real e profunda ignorância, a qual é a mesma que todo homem que não conheceu ao Senhor carrega.

Só a graça de nosso glorioso salvador Jesus Cristo pode romper o véu da ignorância que cobre os corações e mentes dos homens. Que nos lancemos aos pés de Cristo para chorar sobre eles em atitude de amor por sua misericórdia em nos perdoar. Que imploremos para que Ele mantenha nossas cabeças longe de toda ideologia mundana. Que Ele mantenha nossas cabeças sobre Seus altíssimos pés!

Daniel Brito



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