Imagine uma pessoa que já passou por uma perigosa ponte cheia de defeitos diversas vezes. Em todas as experiências de atravessar aquel...

Na travessia da vida, não esqueça a fé

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Imagine uma pessoa que já passou por uma perigosa ponte cheia de defeitos diversas vezes. Em todas as experiências de atravessar aquela ponte, ela contou com uma notável ajuda, e esta a fez sentir-se segura. Certo dia, essa pessoa novamente se deparou com a temível ponte. Antes da temida travessia, turbilhões de pensamentos invadiram sua frágil mente, que então ficou duvidosa se desta vez aquela ajuda de novo apareceria. O que você diria a esta pessoa? “Bobagem, não duvide, a ajuda já surgiu diversas ocasiões, por que não agora?” “Que estupidez! Como não acreditar em algo tão constante?” “Como alguém pode ser tão incrédulo? Se fosse comigo, nunca me comportaria assim.”

Algo muito semelhante se passou com os discípulos de Cristo em Marcos 8:14-21. Todos eles já haviam visto muitas maravilhas feitas por intermédio de Jesus. No entanto, nesta passagem, os discípulos estavam preocupados, pois esqueceram de levar pão em sua mais nova viagem ao lado do Mestre. Enquanto Jesus lhes ensinava acerca de como deveriam proceder de maneira distinta dos fariseus e de Herodes, eles discutiam entre si sobre o pão. Ao perceber a discussão, Jesus severamente lhes advertiu e descortinou os seus duros corações. 

Podemos nos perguntar o que há de tão errado em se preocupar com o pão, visto que todos ali tinham necessidade de se alimentar, principalmente porque estavam indo para outra cidade. Contudo, podemos enxergar neste acontecimento quão falho é o ser humano no que diz respeito à confiança em Deus. Os discípulos temeram e duvidaram mais uma vez daquilo que poderia acontecer através do Senhor, e questionaram o poder que outrora já fora demonstrado. Eles já haviam presenciado uma grande multidão ser alimentada duas vezes. Os seus olhos viram o improvável, ainda assim os seus corações não descansaram naquilo que deveriam ter certeza, a saber, em todas as situações, Cristo é suficiente.

Não poucas vezes nos sentimos prontas para encher os pulmões de ar e falar as frases mencionadas no início deste texto. Porém, assim como os discípulos falharam em confiar no Senhor e não compreenderam que a sua preocupação era infundada, pois quem viajava com eles era Totalmente Poderoso, nós também procedemos de tal maneira. Quantas vezes desconfiamos do que Deus pode realizar e focamos demasiadamente nossa atenção naquilo que deveria ser confiado a Ele? Por que não conseguimos compreender que durante toda a nossa trajetória aqui na terra - e para toda a eternidade - o nosso Pai estará conosco e que não precisamos nos preocupar com o pão? A falta de fé é paralisante.  Ela nos impede de entender qual é a vontade de Deus para a nossa vida por meio de Sua Palavra, de descansar Nele, de agradá-lo e glorificá-lo.  A ansiedade preenche o nosso ser, e já não entendemos que Deus nos chamou para sermos mulheres que vivem pela fé. Ficamos preocupadas com o pão. Questionamos como será a nossa vida, o que haverá de suceder, quando teremos o emprego dos sonhos, com quantos anos iremos casar, mas esquecemos de levar a Deus as nossas orações e súplicas por meio de Cristo e na certeza de que o Espírito Santo intercede por nós. 

Recordemos a história de Jill no livro “A cadeira de prata”, em As Crônicas de Nárnia¹. Aslam havia dado quatro instruções detalhadas acerca do que  sucederia na aventura que logo começaria. Devido às situações externas e internas, apesar da confiança que demonstrou no início, a menina se vê totalmente confusa e esquecida do que tinha de ser feito. Dúvidas invadem o seu pequeno coração. A esta altura, Jill estava com a sua fé abalada, pois não se recordava das palavras reconfortantes proferidas pelo Grande Leão.

O Senhor nos relembra de maneira graciosa que não precisamos ficar ansiosas. Devemos ter fé naquilo que Deus pode fazer, e Ele pode fazer tudo! Que a fé não nos falte na travessia desta vida, apesar das circunstâncias adversas, dúvidas, temores, sofrimentos, violência, calamidades. Por mais que a ponte seja perigosa, contamos com uma ajuda constante. Tenhamos fé!

Hellen Juliane           


¹LEWIS, C.S. As Crônicas de Nárnia. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.



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