Gosto muito de reler os textos dos evangelhos que se referem ao período posterior à ressurreição de Cristo. Há um tempo, tenho reflet...

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Gosto muito de reler os textos dos evangelhos que se referem ao período posterior à ressurreição de Cristo. Há um tempo, tenho refletido em diversas ocasiões a respeito dos últimos versículos de Mateus 28, conhecido como “a grande comissão”. Bastante lida, esta porção das escrituras traz à tona ordens específicas que devem ser seguidas pelos discípulos de Jesus, futuros representantes da igreja que se formaria:
 “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” Mt 28.19-20
Primeiramente, as palavras direcionadas à igreja como um todo, instruem a ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações, depois, batizá-los e, por último, ensiná-los a vivenciar o evangelho. Em suma, o dever dos cristãos é fazer discípulos, não de si mesmos, mas do próprio Cristo. Somos comissionados a anunciar o Reino de Deus onde quer que estejamos.

Ainda neste trecho, há uma promessa significativa que nos dá segurança para o cumprimento dessas coisas: Jesus disse que estaria conosco até a consumação dos séculos, todos os dias, isto é, sempre. Permita-me a redundância: não há um dia sequer, mesmo o mais escuro, que cristo não nos dê a dádiva da sua presença.

Deus é a identidade do seu povo e só nEle há segurança e descanso. No livro de Êxodo, Moisés aponta para a nossa necessidade de tê-lo quando clama pela presença de Deus apesar dos pecados cometidos por Israel:

“Lembra-te de que esta nação é teu povo[...] Se não vieres tu mesmo não nos faça sair daqui[...] Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?” Ex 33.13-16

Em vários momentos Deus nos mostra seu amor e misericórdia estando conosco apesar de quem nós somos. Se não fosse o cuidado e a presença constante do Senhor em nossas vidas, estaríamos completamente perdidos. Mas Ele afirmou que não nos deixaria órfãos, as palavras de Jesus nos asseguram:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.”  João 14. 16-18

Como declara um antigo hino, mais firmes que as montanhas são as promessas do Senhor, portanto, se a promessa dEle é de nunca nos abandonar, não há o que temer. Nunca estaremos sozinhas.  Lembremos das palavras de Deus ao seu povo que constam no livro de Isaías:

“Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.”  Is 49.15 
A figura de uma mãe que esquece o próprio filho nos parece bastante incomum, mas o Senhor nos garante que ainda que algo tão improvável aconteça, é ainda mais improvável que Ele nos abandone. Estamos gravadas em suas mãos e cercadas por sua presença (Sl 139.5).

Sempre enfrentamos momentos de solidão, momentos em que aparentemente não há ninguém por perto, nem mesmo aquele que garantiu estar conosco. A caminhada cristã inclui desafios e há épocas em que nosso coração desfalece como se não enxergássemos o cumprimento da promessa do nosso Deus.  Meu convite é que você retorne seu olhar para a promessa que Ele fez, entenda quão poderoso Ele é e confie nAquele que nunca esteve longe de você.

Enquanto estamos indo e anunciando o reino de Deus, se vivemos os dias mais belos e empolgantes que poderíamos imaginar, Ele está conosco e nos mostra que tudo vem dEle e sua presença é mais preciosa que qualquer outra dádiva. Se estamos vivendo momentos não tão bons, de dúvida, medo e tantas outras coisas que nos furtam a alegria, Cristo permanece conosco apesar de qualquer breu.

Nesses momentos, se o que você precisa é tocar as chagas, ele se aproxima e diz “veja as minhas mãos[...]pare de duvidar e creia”. Não há como responder outra coisa, a não ser “Senhor meu e Deus meu", reconhecendo sua gloriosa companhia. Diante disso, que não esqueçamos a fidelidade de Deus em cumprir sua promessa, temos visto e experimentado que Ele verdadeiramente permanece conosco até a consumação dos séculos. Sua mão enorme está acima da nossa nau dentro da noite e da tempestade, como mais precisamente destaca o poema:
   
“Acima da nau
a mão enorme
sangrando está.
A nau lá vai.
 O mar transborda,
as terras somem
Caem estrelas.
A nau lá vai.
Acima dela
A mão eterna
lá está.” ¹

Juliany Correia

¹ Tempo e eternidade - Jorge de Lima e Murilo Mendes. Edição da Livraria do Globo, 1935, p. 14




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