Perder não é um verbo que nos agrada. Ninguém quer perder, na maioria das vezes, estamos tentando ganhar. Ganhar a confiança dos...

Você está disposta a perder?

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Perder não é um verbo que nos agrada. Ninguém quer perder, na maioria das vezes, estamos tentando ganhar. Ganhar a confiança dos outros, ganhar estabilidade, ganhar dias de vida, ganhar recursos, ganhar reconhecimento, ganhar boas experiências, ganhar tempo, ganhar o mundo. Mas, gostemos ou não, perder é necessário.

Em Lucas 14 Jesus conta uma parábola que é um convite à autoavaliação: a parábola da construção da torre e do rei que está pensando em ir à guerra. É preciso ponderar os gastos para concluir uma construção, assim como é preciso tomar conselho para decidir o que é mais prudente a se fazer em uma guerra na qual o inimigo é formidável. Com ambas as parábolas, Jesus está nos dizendo para avaliar os custos, esclarecendo que segui-lo irá exigir tudo de nós:

“Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.” Lucas 14.33
Dessa forma, Jesus nos chama não só para avaliar os custos, mas também para um processo contínuo de renúncia, ou seja, perder será necessário. Pense em todos os cristãos que são uma referência para você hoje, pense na igreja primitiva, pense nos reformadores, pense nos mártires, pense na igreja perseguida, pense no próprio Cristo e lembre-se:

“Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará.” Mateus 16.25
Quando ouvi pela primeira vez sobre a biografia de Adoniram e Ann Judson, lembro que fiquei bastante impressionada com a leitura de um trecho da carta que Adoniran escreveu ao pai de Ann para pedi-la em casamento. Lendo um livro de biografias, me deparei novamente com esta carta que me direcionava a vários questionamentos sobre minha própria vida. Dizia o seguinte:

“Devo perguntar-lhe se o senhor pode concordar em se afastar de sua filha no início da próxima primavera e não vê-la mais neste mundo. Se o senhor pode consentir com a partida dela para uma terra pagã, de modo que ela esteja sujeita às dificuldades e ao sofrimento de uma vida missionária. Se o senhor consente em que ela se exponha aos perigos do oceano; à influência fatal do clima do sul da índia; a todo tipo de necessidade e angústia; a degradação, insultos, perseguição e, talvez, morte violenta. O senhor pode consentir com tudo isso, por amor a ele, que deixou seu lar celestial e morreu por ela e por você; por amor às almas imortais que perecem; por amor a Sião e à glória de Deus. O senhor pode consentir com tudo isso, na esperança de encontrar sua filha no mundo da glória, com uma coroa de justiça abrilhantada pelas aclamações de louvor que deverão ressoar para o salvador dela dos gentios salvos, por meio dela, do infortúnio e do desespero eterno?” ¹
Adoniram sabia o quanto estaria vulnerável, mas tinha convicção de que tudo valeria a pena se culminasse na glória do seu Senhor. Tanto quanto a carta dele, a decisão de Ann tem um teor de completa sujeição à vontade divina, como ela escreve a uma amiga:

“Cheguei à conclusão de renunciar todo meu conforto e prazer aqui, sacrificar minha afeição pelos parentes e amigos, e ir para onde Deus, em sua providência, pensa ser o lugar adequado para mim. Minha decisão não é repentina nem tomada sem analisar os perigos, as provações e as dificuldades presentes em uma vida missionária.” ²
A resposta de Ann me faz pensar sobre o quanto estou disposta a perder pela causa do evangelho. Por mais que, humanamente falando, não gostemos da ideia de perder, os maiores ganhos do mundo inteiro não se podem comparar ao único ganho que nos trará vida: ganhar a Cristo.

Você já se perguntou se está disposta a perder? Já avaliou os custos de caminhar com Cristo e em direção a Ele? Reconhecimento, recursos, tempo, dias tranquilos, autossatisfação, amigos, familiares, carreira, reputação... Essas são apenas algumas coisas que você talvez precise abrir mão. Seja em um país distante ou na sua própria cidade, seguir a Jesus custará todo o seu ser. Seus planos não serão prioridade, sua história não será o centro, mas sim os planos dEle e a história dEle.

Que o exemplo destes missionários nos faça perceber o quanto precisamos sujeitar-nos à vontade de Deus. Ainda que a sua vontade nos tire aquilo que consideramos tão importante, ainda que a sua vontade nos fira, o Senhor sabe o que está fazendo. Oremos para que Deus nos ensine a depender tão somente dEle, para que em nossa vulnerabilidade possamos declarar:

“O que para mim era lucro, passei a considerar perda por Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo.” Filipenses 3.7-8

Juliany Correia
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¹HAYKIN, Michael. 8 mulheres de fé. São José dos Campos -SP: Fiel, 2017, p. 166.




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