Superioridade e inferioridade: As duas faces terríveis do orgulho

23:32


Estamos acostumados a associar o orgulho às pessoas que se comportam como se estivessem acima das outras. Em determinados contextos, ao se comparar com outros, avaliam que são mais bonitas, têm mais dinheiro, mais conhecimento ou habilidades especiais, depositando nisso seu valor pessoal. No entanto, podemos averiguar outro efeito decorrente da comparação, que se dá quando sentimos que outros são melhores que nós, ou porque tem o que não temos ou porque possuem mais do que nós, tal postura também se relaciona ao modo como medimos nosso valor. Veremos que se sentir superior tanto quanto se sentir inferior são resultados diferentes do nosso anseio de obter glória para nós mesmos. 


O coração humano em seu estado natural é mais orgulhoso do que gostamos de admitir. Temos verdadeira fome de nos autoglorificar. Tim Keller define orgulho como:

 

“...uma insegurança profunda, uma percepção de ausência de honra e glória, levando à necessidade de provar nosso valor para nós mesmos e para as demais pessoas. Isso, por sua vez, fixa nossa mente em nos compararmos com os outros." (1)

 

O orgulho nos leva a presumir nosso valor a partir de comparações com os outros, o tempo todo, de modo incansável e insaciável. Ao fazermos isso, percebemos dois efeitos diferentes - nos sentimos superior ou inferior:

 

Superioridade: Quando algo nos faz parecer melhor que alguém, nos sentimos momentaneamente bem e tendemos a desprezar aqueles que vemos como inferiores a nós.

Inferioridade: Quando vemos os outros como melhores do que nós, nos sentimos derrotados e com amargura passamos a invejá-los.


Embora todos nós passemos por situações em que nos sentimos ou superiores ou inferiores, geralmente temos uma tendência para uma dessas direções como resultado do orgulho que opera em nós.

 

O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas exortou:

 

“Não nos tornemos orgulhosos, provocando-nos uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.” (5.26)

 

Paulo está dizendo que quando somos orgulhosos nossos relacionamentos são marcados por provocações ou inveja. John Stott comentando esse versículo escreveu:

 

“De um modo geral, nós adotamos uma dessas duas atitudes para com os outros. Somos motivados por sentimentos de inferioridade ou de superioridade. Se nos consideramos superiores às outras pessoas, nós as desafiamos, pois desejamos que conheçam e sintam a nossa superioridade. Se, por outro lado, nós as consideramos superiores a nós, ficamos com inveja. Nos dois casos a nossa atitude é por causa da “vanglória” ou “convencimento”; temos uma opinião tão cheia de fantasias a nosso respeito que não suportamos rivais.” (2)

 

Dessa forma, ficamos reféns de como as pessoas nos fazem sentir e passamos a definir quem somos a partir dos outros. Algumas questões (1) podem nos ajudar a perceber para qual dessas duas posturas mais nos inclinamos. Se você não conseguir responder alguma das perguntas, peça ajuda a uma amiga com quem você possa contar com a sinceridade e confiança:

 

- Tenho a tendência de me expandir ou de me fechar feito um caramujo?

 - Tenho a tendência de iniciar discussões com as pessoas ou evito totalmente o confronto?

 - Tenho a tendência de me dar muito bem com indivíduos e grupos ou na maioria das vezes fico constrangido e intimidado perto de determinadas classes de pessoas?

 - Quando criticado, fico muito bravo e crítico e simplesmente revido o ataque? Ou me sinto bastante desencorajado e na defensiva, dou montes de desculpas ou desisto da conversa?

 - Costumo pensar: Nunca, jamais faria o que essa pessoa fez? Ou costuma olhar para a pessoa e dizer: Nunca, jamais atingirei o nível de realização dessa pessoa?

 

Felizmente, o Senhor não nos entregou a nosso coração orgulhoso, provocativo e invejoso, mas o Evangelho opera uma transformação tão profundo que altera o modo como nos vemos e vemos os outros, não mais baseados em comparações, mas fundamentando nosso valor e identidade em Cristo.

 

“Em vez de nos compararmos com aqueles que estão “acima” ou “abaixo”, olhemos apenas para nossa própria responsabilidade de tomar o que temos e somos e oferece-lo a Deus em um sacrifício de gratidão pelo que Cristo fez.” (1)

 

Tim Keller diz que devemos pregar o Evangelho para nós mesmos quando estivermos nessas situações. Por exemplo, se você se identifica mais com a postura aqui representada pela inferioridade, quando estiver na defensiva, deve dizer a si mesma: “O que você pensa de mim não é o que importa. A aprovação de Jesus Cristo, não a sua, é minha justiça, minha identidade, meu valor.” Mas, caso você esteja mais inclinada a menosprezar alguém porque se sente superior, lembre ao seu coração das verdades do Evangelho: “O que eu penso a meu respeito não importa. Sou só um pecador, tanto quanto essa pessoa, e, assim como ela, não mereço o amor de Cristo por mim.”

 

Nossa identidade estando em Cristo, estamos livres da necessidade de medir nosso valor nos comparando com os outros. Definitivamente, não precisamos nos comparar com ninguém para nos sentir importantes. Olhe para o que o Senhor te deu, o que você tem aí, agora, para a transformação que Ele já começou em você, seja grata por tudo isso e olhe para os que te cercam, não como rivais que te fazem se sentir melhor ou pior, mas como portadores da imagem de Deus, que Ele te deu o privilégio de servir.

  

Sonaly Soares

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(1) Tim Keller – Gálatas para você. Ed. Vida Nova.

(2) John Stott – A mensagem de Gálatas. ABU Editora.


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