Sozinho sob uma agonizante noite estava o Mestre prostrado, orando, desenvolvendo as mais sinceras palavras provindas de um coração...


Sozinho sob uma agonizante noite estava o Mestre prostrado, orando, desenvolvendo as mais sinceras palavras provindas de um coração repleto de tristeza. “Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice, todavia não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26:39). Ele estava num jardim chamado Getsêmani, cujo nome significa “prensa de azeite”, longe de todos, desamparado até pelos seus discípulos mais próximos! Ele já os dissera: “Ficai aqui e vigiai comigo.” (Mt 26:38), porém eles dormiram, não atentaram para a angústia e súplica do seu Mestre.

Mateus vai O apresentar dizendo que a sua alma estava cheia de tristeza até a morte (Mt 26:38), e aqui a palavra Perilupos que significa envolvido, cercado, sobrecarregado de dor. Marcos vai registrar que o Senhor começou a ter pavor, e a angustiar-se (Mc 14:33).  Ele usa o termo Ekthambeisthai1, que demonstra assombro ao extremo. Lucas vai retratar um Jesus tão angustiado, que orava intensamente, até soar gotas de sangue! (Lc 22:44).

Mas, porque Ele estava assim? Qual era a causa de tanta dor e sofrimento? Wiersbice2 responde:

“Não devemos imaginar que foi o medo da morte que fez nosso Senhor agonizar no jardim. Não temeu a morte, antes a enfrentou com coragem e paz. Estava para beber o "cálice" que o Pai havia preparado [...]. Muitas pessoas piedosas têm sido presas, espancadas e assassinadas por causa da fé, mas somente Jesus foi feito pecado e maldição por amor à humanidade (2 Co 5:21; Gl 3:13). O Pai jamais deixou seus filhos, no entanto, abandonou seu Filho. Foi esse o cálice do qual Jesus bebeu voluntariamente por nós.”
Eram essas as razões do Mestre, e não meramente os Seus sofrimentos físicos. Precisamos entender que Aquele que é eternamente Santo foi feito imundo diante de Deus, porque “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Is 53:6). Aquele que aborrece o pecado foi feito propriamente pecado por nós. Aquele que sempre tem o favor de Deus teve que enfrentar agora a Sua maldição. Antes o Seu consolo, agora somente a Sua abrasadora ira.

Como Filho de Deus, poderia ter recusado estas coisas, porém decidiu se submeter a vontade de Seu Pai. “...Não seja feito como eu quero, e sim como tu queres”. E Deus não atendeu ao que Jesus humanamente desejava. Ele teve que enfrentar tudo, e continuou até o fim. Se tivesse desistido o plano de Deus teria sido frustrado, mas “Ele foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2:8).

Que submissão! Que confiança! Ele aceitou a vontade de Deus, embora esta vontade significasse trazer o sofrimento sobre si mesmo. Ele estava alicerçado em perfeita harmonia com o Pai, e entendia que aquilo era necessário naquele momento, e como era necessário! O clímax de toda a história estava Nele, e tudo foi cumprido grandiosamente. Foi para isto que viera ao mundo, voluntariamente, e em todo tempo foi fiel!

Entendamos o seguinte: O que passamos nesta breve vida não pode estar em nenhum grau de comparação com o que Jesus passou. E ainda – Ele não merecia nada disso, pois é Perfeito!

Mas, o que nós, miseráveis pecadores, professamos nestes momentos? São comuns entre nós as frases “Eu não aguento mais!”, “Tira isso da minha vida!”, “Senhor, eu desisto!”, enquanto que o Capitão de nossa salvação não ousou interpor a Sua própria vontade. E ainda - neste momento sombrio, muitas pessoas veriam a Deus como alguém malvado, desprovido de amor, mas tal era a confiança e convicção de Jesus que Ele foi capaz de se dirigir a esse Deus O chamando de “Meu Pai”!

Temos muito a aprender com o ilustre exemplo de nosso Mestre! Precisamos aprender a aceitar a vontade de Deus, que por sinal é “boa, perfeita e agradável” (Hb 12:2), Ele sempre sabe o que é melhor pra nós! Confiando Nele, podemos como crianças nos lançar sem nenhum medo ou inquietação em Sua perfeita soberania.  Podemos nos arrojar em Seus amorosos braços quando nossos olhos não são mais capazes de enxergar o sentido das coisas. Ele é o suficiente pra nossas pobres almas!

Sobre exatamente tudo o que vier na sua vida, peça que a vontade de Deus seja realizada, e mesmo que no momento você receba um “não”, entenda – Aquele que controla todo o Universo e que é dono de toda a sabedoria, está atuando em você. Vá em frente, não desista, Ele é capaz de ver o que você agora não consegue. Esteja arraigado no amor do Perfeito Deus, convicto em Sua eterna palavra, confiante no que Ele revelou que Ele é, e ore como o seu Mestre: “Meu Pai, se possível afasta de mim este cálice, todavia não seja feito como eu quero, e sim como tu queres”. Jesus venceu para nos mostrar que nós também o podemos! Não murmure, louve a Deus pela Sua maravilhosa graça!

Thayse Fernandes
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1GINGRICH, F. Wilbur, GANKER, Frederick W., Léxico do Novo Testamento Grego/ Português. São Paulo: edições Vida nova.
2WIERSBE, Warren W., Comentário do Novo Testamento, Volume I. São Paulo: Geográfica editora, 2006.   

Por volta do ano 67/68, enquanto aguardava o martírio, o apóstolo Paulo escreveu sua última carta, endereçada ao seu amigo íntimo...


Por volta do ano 67/68, enquanto aguardava o martírio, o apóstolo Paulo escreveu sua última carta, endereçada ao seu amigo íntimo e companheiro de confiança, Timóteo. Movido por um zelo intenso pela pureza da doutrina e o cuidado amoroso para com a igreja, Paulo o aconselha a preservar o ensinamento que recebeu (II Tm. 1.13), e o adverte quanto à extrema corrupção que se desencadearia durante o período que ele chama de “últimos dias” (II Tm. 3.1-9). No Novo Testamento essa expressão se refere ao espaço de tempo compreendido entre a primeira e a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (At. 2.17; II Pe. 3.3; Hb. 1.2; Jd. 18), muito embora, na medida em que se aproximar do fim, os dias serão mais difíceis e agonizantes, sendo marcados por um colapso nos padrões morais, decorrente da decadência espiritual, caracterizada, essencialmente, pelo desprezo a Deus.

Um dos sentimentos mais prazerosos que o ser humano pode usufruir é o amor. Na literatura secular vemos a “profundidade” do amor ...


Um dos sentimentos mais prazerosos que o ser humano pode usufruir é o amor. Na literatura secular vemos a “profundidade” do amor do eu lírico/autor para com a sua amada, proporcionado de tal forma que, sem o qual, seria impossível a sua existência. O renomado autor cristão, C.S. Lewis, assevera que o mundo impõe para o homem um método romântico, que é uma espécie de Romeu apaixonado, submerso em murmurações, pois a vida não teria sentido sem o amor de sua Julieta. Entretanto, a luz das Sagradas Escrituras vemos que o verdadeiro amor vem de Deus, demonstrado no fato de que Ele “amou o mundo de tal maneira de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

“Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com vári...


“Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo.” (I Pe 1:6-7)

É uma falácia comum, a de que com a vida cristã todos os problemas se vão e que os cristãos são felizes o tempo todo. Nem tudo é tão perfeito como se afirmam, e o texto acima é uma prova disso. Um cristão é contristado, ou seja, entristecido, perturbado. São coisas que o perturba, o tornando infeliz. Quem nunca se sentiu contristado diante de alguma situação específica?