A tragédia é um gênero teatral que explora com finalidades artísticas um desejo inato no ser humano: o desejo de justiça, o qual pode...

Quando o justo sofre e o ímpio prospera


A tragédia é um gênero teatral que explora com finalidades artísticas um desejo inato no ser humano: o desejo de justiça, o qual pode ser, grosso modo, colocado assim: os maus devem sofrer as punições de seus erros e os bons devem ser recompensados. Esse desejo clama por satisfação e dá origem a um amargo sabor de injustiça quando não é atendido, esse amargo sabor é explorado pelas tragédias. De fato, as emoções dos espectadores são tocadas quando lhes é apresentado o sofrimento dos justos e o sucesso dos ímpios, a obra Romeu e Julieta é o exemplo mais célebre. Ao fim, os personagens que dão nome à peça morrem e deixam o público com o sentimento de “isso não é justo, eles deveriam ter vivido uma linda história de amor” (por favor, entenda que não é spoiler falar o fim de uma história que tem mais de 400 anos).

Gosto muito de reler os textos dos evangelhos que se referem ao período posterior à ressurreição de Cristo. Há um tempo, tenho reflet...

Você não está sozinha



Gosto muito de reler os textos dos evangelhos que se referem ao período posterior à ressurreição de Cristo. Há um tempo, tenho refletido em diversas ocasiões a respeito dos últimos versículos de Mateus 28, conhecido como “a grande comissão”. Bastante lida, esta porção das escrituras traz à tona ordens específicas que devem ser seguidas pelos discípulos de Jesus, futuros representantes da igreja que se formaria:
 “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” Mt 28.19-20
Primeiramente, as palavras direcionadas à igreja como um todo, instruem a ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações, depois, batizá-los e, por último, ensiná-los a vivenciar o evangelho. Em suma, o dever dos cristãos é fazer discípulos, não de si mesmos, mas do próprio Cristo. Somos comissionados a anunciar o Reino de Deus onde quer que estejamos.

Ainda neste trecho, há uma promessa significativa que nos dá segurança para o cumprimento dessas coisas: Jesus disse que estaria conosco até a consumação dos séculos, todos os dias, isto é, sempre. Permita-me a redundância: não há um dia sequer, mesmo o mais escuro, que cristo não nos dê a dádiva da sua presença.

Deus é a identidade do seu povo e só nEle há segurança e descanso. No livro de Êxodo, Moisés aponta para a nossa necessidade de tê-lo quando clama pela presença de Deus apesar dos pecados cometidos por Israel:

“Lembra-te de que esta nação é teu povo[...] Se não vieres tu mesmo não nos faça sair daqui[...] Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?” Ex 33.13-16

Em vários momentos Deus nos mostra seu amor e misericórdia estando conosco apesar de quem nós somos. Se não fosse o cuidado e a presença constante do Senhor em nossas vidas, estaríamos completamente perdidos. Mas Ele afirmou que não nos deixaria órfãos, as palavras de Jesus nos asseguram:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.”  João 14. 16-18

Como declara um antigo hino, mais firmes que as montanhas são as promessas do Senhor, portanto, se a promessa dEle é de nunca nos abandonar, não há o que temer. Nunca estaremos sozinhas.  Lembremos das palavras de Deus ao seu povo que constam no livro de Isaías:

“Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.”  Is 49.15 
A figura de uma mãe que esquece o próprio filho nos parece bastante incomum, mas o Senhor nos garante que ainda que algo tão improvável aconteça, é ainda mais improvável que Ele nos abandone. Estamos gravadas em suas mãos e cercadas por sua presença (Sl 139.5).

Sempre enfrentamos momentos de solidão, momentos em que aparentemente não há ninguém por perto, nem mesmo aquele que garantiu estar conosco. A caminhada cristã inclui desafios e há épocas em que nosso coração desfalece como se não enxergássemos o cumprimento da promessa do nosso Deus.  Meu convite é que você retorne seu olhar para a promessa que Ele fez, entenda quão poderoso Ele é e confie nAquele que nunca esteve longe de você.

Enquanto estamos indo e anunciando o reino de Deus, se vivemos os dias mais belos e empolgantes que poderíamos imaginar, Ele está conosco e nos mostra que tudo vem dEle e sua presença é mais preciosa que qualquer outra dádiva. Se estamos vivendo momentos não tão bons, de dúvida, medo e tantas outras coisas que nos furtam a alegria, Cristo permanece conosco apesar de qualquer breu.

Nesses momentos, se o que você precisa é tocar as chagas, ele se aproxima e diz “veja as minhas mãos[...]pare de duvidar e creia”. Não há como responder outra coisa, a não ser “Senhor meu e Deus meu", reconhecendo sua gloriosa companhia. Diante disso, que não esqueçamos a fidelidade de Deus em cumprir sua promessa, temos visto e experimentado que Ele verdadeiramente permanece conosco até a consumação dos séculos. Sua mão enorme está acima da nossa nau dentro da noite e da tempestade, como mais precisamente destaca o poema:
   
“Acima da nau
a mão enorme
sangrando está.
A nau lá vai.
 O mar transborda,
as terras somem
Caem estrelas.
A nau lá vai.
Acima dela
A mão eterna
lá está.” ¹

Juliany Correia

¹ Tempo e eternidade - Jorge de Lima e Murilo Mendes. Edição da Livraria do Globo, 1935, p. 14


            Ao lermos João 4 e observarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, notamos que uma conversa mais longa inicialm...

Conversas que transformam



            Ao lermos João 4 e observarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, notamos que uma conversa mais longa inicialmente parece improvável, mas aos poucos novos rumos começam a ser tomados. Jesus tinha o propósito de conversar com aquela mulher, embora esta não soubesse o que iria suceder. A samaritana tinha um objetivo certo em ir àquele poço, a saber, retirar água. Ela precisava daquilo. Queria saciar uma necessidade vital específica. Havia, então, dois propósitos distintos.

Quando Cristo iniciou a conversa, ele simplesmente pediu água - sabe-se que pela lógica humana esta conversa nem aconteceria, pois os judeus não conversavam nem se misturavam em relação à coisa alguma com o povo samaritano. A mulher, espantada, não compreendeu o motivo pelo qual aquele homem lhe dirigiu a palavra. Jesus, ainda no início da conversa, mostrou o que Ele gostaria de provocar na vida da samaritana: transformação. Ele falou sobre a possibilidade de se ter uma fonte de água viva que não tem fim. Ainda muito focada naquilo que se via, a mulher não percebeu quem falava com ela, até que o Mestre se revelou e abriu-lhe os olhos para que esta entendesse qual era a sua verdadeira necessidade.

Algumas conversas mudam a nossa vida. Há pessoas com quem podemos passar horas conversando e será algo extraordinariamente proveitoso. Outras nem tanto. Quando estamos conversando com os nossos amigos mais chegados, nos sentimos bem e felizes. É comum estarmos dispostas a conversar com os nossos pais, filhos, maridos, amigos e amigas, e até mesmo consigo, mas esquecemos de nos achegar ao Santo para uma simples e reveladora conversa.

Todas as conversas com o nosso Pai são transformadoras. Elas nos revelam sobre quem Ele é e quem somos nós. Lembremos da conversa entre Deus e Jó, e como foi desvendado àquele homem que tudo poderia se esvair, poderia não restar mais nada, o amargo significado da perda poderia ser experimentado vagarosamente, contudo, o seu Deus permaneceria para sempre e nada poderia mudar este fato. Isso foi mostrado de maneira palpável a Jó também por meio de uma conversa. É maravilhoso como Deus transforma sentidos e percepções, propósitos, finalidades e redireciona as nossas necessidades através de um simples diálogo.

Em nossa caminhada cristã, falamos diversas vezes que queremos mudanças e transformações em nossa vida. Clamamos por uma história gloriosa, por mais santidade, por vitórias em áreas emergentes, no entanto, dificilmente paramos, sentamos e “puxamos conversa” com o nosso Senhor. Sabemos do poder que uma conversa com Deus tem e como podemos, através da oração, nos tornar mulheres mais sábias, mais santas e piedosas, porém, por inúmeros motivos nos mantemos afastadas. Seja pela crença de que não temos tempo suficiente, seja pela falta de intimidade com o Pai, ou simplesmente porque ainda não entendemos com o coração que é melhor usufruir alguns minutos junto a Deus do que qualquer outra coisa.

A mulher samaritana teve toda a sua perspectiva transformada. Ela chegou ao poço tão somente com o objetivo de retirar água, uma atividade rotineira. Porém, saiu com a convicção de quem era o Messias; com o coração confortado acerca do amor que Ele sentia por ela; com a sua vontade modificada, porquanto, ela deixou ali o seu recipiente e foi falar acerca das grandezas que havia contemplado. Uma conversa tem o poder de transformar completamente a nossa história e o Deus que realiza tais transformações não muda.

Apressemo-nos em ter conversas com Deus. Peçamos fervorosamente em oração com súplicas por um coração que anseia uma vida repleta de conversas que nos molde, que nos retire das diversas zonas de conforto criadas por nós e que nos coloque em diferentes lugares, que nos faça mulheres segundo a vontade de Deus, que transforme nossas visões de mundo, que nos encha de amor pelo nosso Senhor. E que em todas as coisas Deus seja glorificado!

Hellen Juliane

Há tantas coisas em nossas vidas que gostaríamos de entender, na verdade, há questões que temos obsessão em compreender porque nos ocorr...

“Deus sabe o que está fazendo”


Há tantas coisas em nossas vidas que gostaríamos de entender, na verdade, há questões que temos obsessão em compreender porque nos ocorreu, de modo que ficamos paralisadas enquanto a resposta não vem: “Por que ainda não casei?”, “Por que Deus ainda não me abençoou com um filho?”, “Por que o Senhor permitiu que meu marido perdesse o emprego se aquela era nossa única fonte de renda?”, “Por que Deus não converte minha filha?”, “Por que eu estou passando por esse sofrimento?”...

Se fizéssemos uma análise dos textos mais utilizados para falar a mulheres, com certeza Provérbios 31 lideraria o ranking. A mulher d...

Nunca foi sobre nós: temor e exultação na beleza de Deus



Se fizéssemos uma análise dos textos mais utilizados para falar a mulheres, com certeza Provérbios 31 lideraria o ranking. A mulher descrita em Provérbios inegavelmente apresenta qualidades excelentes. Proveniente dos dizeres ensinados por sua mãe, o retrato feito pelo escritor deixa bem claro o sucesso de uma mulher, esposa e mãe cujas qualidades sobrepujavam qualquer falha. Esta descrição é um acróstico de versículos a respeito da excelência feminina, sendo um verso para cada letra do alfabeto hebraico. Claramente, estamos diante de um modelo de mulher notável em produtividade, em seus relacionamentos, nos cuidados com o lar e em diversos outros aspectos. Entretanto, além de todas essas lições, Provérbios 31 nos fala sobre Deus.

Imagine uma pessoa que já passou por uma perigosa ponte cheia de defeitos diversas vezes. Em todas as experiências de atravessar aquel...

Na travessia da vida, não esqueça a fé



Imagine uma pessoa que já passou por uma perigosa ponte cheia de defeitos diversas vezes. Em todas as experiências de atravessar aquela ponte, ela contou com uma notável ajuda, e esta a fez sentir-se segura. Certo dia, essa pessoa novamente se deparou com a temível ponte. Antes da temida travessia, turbilhões de pensamentos invadiram sua frágil mente, que então ficou duvidosa se desta vez aquela ajuda de novo apareceria. O que você diria a esta pessoa? “Bobagem, não duvide, a ajuda já surgiu diversas ocasiões, por que não agora?” “Que estupidez! Como não acreditar em algo tão constante?” “Como alguém pode ser tão incrédulo? Se fosse comigo, nunca me comportaria assim.”

Algo muito semelhante se passou com os discípulos de Cristo em Marcos 8:14-21. Todos eles já haviam visto muitas maravilhas feitas por intermédio de Jesus. No entanto, nesta passagem, os discípulos estavam preocupados, pois esqueceram de levar pão em sua mais nova viagem ao lado do Mestre. Enquanto Jesus lhes ensinava acerca de como deveriam proceder de maneira distinta dos fariseus e de Herodes, eles discutiam entre si sobre o pão. Ao perceber a discussão, Jesus severamente lhes advertiu e descortinou os seus duros corações. 

Podemos nos perguntar o que há de tão errado em se preocupar com o pão, visto que todos ali tinham necessidade de se alimentar, principalmente porque estavam indo para outra cidade. Contudo, podemos enxergar neste acontecimento quão falho é o ser humano no que diz respeito à confiança em Deus. Os discípulos temeram e duvidaram mais uma vez daquilo que poderia acontecer através do Senhor, e questionaram o poder que outrora já fora demonstrado. Eles já haviam presenciado uma grande multidão ser alimentada duas vezes. Os seus olhos viram o improvável, ainda assim os seus corações não descansaram naquilo que deveriam ter certeza, a saber, em todas as situações, Cristo é suficiente.

Não poucas vezes nos sentimos prontas para encher os pulmões de ar e falar as frases mencionadas no início deste texto. Porém, assim como os discípulos falharam em confiar no Senhor e não compreenderam que a sua preocupação era infundada, pois quem viajava com eles era Totalmente Poderoso, nós também procedemos de tal maneira. Quantas vezes desconfiamos do que Deus pode realizar e focamos demasiadamente nossa atenção naquilo que deveria ser confiado a Ele? Por que não conseguimos compreender que durante toda a nossa trajetória aqui na terra - e para toda a eternidade - o nosso Pai estará conosco e que não precisamos nos preocupar com o pão? A falta de fé é paralisante.  Ela nos impede de entender qual é a vontade de Deus para a nossa vida por meio de Sua Palavra, de descansar Nele, de agradá-lo e glorificá-lo.  A ansiedade preenche o nosso ser, e já não entendemos que Deus nos chamou para sermos mulheres que vivem pela fé. Ficamos preocupadas com o pão. Questionamos como será a nossa vida, o que haverá de suceder, quando teremos o emprego dos sonhos, com quantos anos iremos casar, mas esquecemos de levar a Deus as nossas orações e súplicas por meio de Cristo e na certeza de que o Espírito Santo intercede por nós. 

Recordemos a história de Jill no livro “A cadeira de prata”, em As Crônicas de Nárnia¹. Aslam havia dado quatro instruções detalhadas acerca do que  sucederia na aventura que logo começaria. Devido às situações externas e internas, apesar da confiança que demonstrou no início, a menina se vê totalmente confusa e esquecida do que tinha de ser feito. Dúvidas invadem o seu pequeno coração. A esta altura, Jill estava com a sua fé abalada, pois não se recordava das palavras reconfortantes proferidas pelo Grande Leão.

O Senhor nos relembra de maneira graciosa que não precisamos ficar ansiosas. Devemos ter fé naquilo que Deus pode fazer, e Ele pode fazer tudo! Que a fé não nos falte na travessia desta vida, apesar das circunstâncias adversas, dúvidas, temores, sofrimentos, violência, calamidades. Por mais que a ponte seja perigosa, contamos com uma ajuda constante. Tenhamos fé!

Hellen Juliane           


¹LEWIS, C.S. As Crônicas de Nárnia. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

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