"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça." (1Jo...

Culpa e perdão

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"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça." (1Jo 1.9)

Todo cristão em algum momento já teve que lidar com o sentimento de culpa. Isso acontece porque somos falíveis pecadores e estamos a todo momento sujeitos a agir de forma contrária às Escrituras.  Ao falarmos de culpa, é importante compreendermos algumas definições como culpa subjetiva e culpa objetiva. ¹

 A culpa subjetiva está ligada a autocondenação, vergonha ou remorso quando se pensa ou sente algo considerado errado; já a culpa objetiva se divide em quatro tipos: a culpa legal - que diz respeito à violação das leis da sociedade; a culpa teológica – que implica em uma falha em obedecer às leis de Deus; a culpa pessoal – na qual o indivíduo se contrapõe à consciência, violando seus próprios padrões pessoais e a culpa social - que está ligada a quebra de uma regra não prescrita, mas que é socialmente válida. Nesta há uma violação das expectativas de determinado grupo social (vizinhança, igreja, família, local de trabalho, etc.).

O sentimento de culpa é apropriado quando proporcional à gravidade de nossas ações, mas é impróprio quando não corresponde à gravidade do ato. Em termos bíblicos, há pouca diferença entre culpa e pecado, assim, entendemos que há implicações importantes nisso, visto que o pecado é primeiramente uma afronta direta a Deus. No salmo 51, Davi reconhece e lamenta por seu pecado, dirigindo-se a Deus da seguinte forma:

Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões.Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue.Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me.  (Sl 51.1-4)

Sabemos que Davi estava falando do pecado de adultério que havia cometido, mesmo assim, ele reconhece que pecou diretamente contra Deus.

Diante da nossa falibilidade, o perdão divino é uma constante na Bíblia, é o principal tema. Cristo morreu por nós para nos livrar da nossa culpa, de forma que o castigo que nos traz paz estava sobre Ele. Somente por causa de Cristo podemos desfrutar novamente de uma completa comunhão com Deus. Por causa de sua obra, fomos perdoados. O sentimento de culpa pode gerar um enorme sofrimento se não considerarmos que o Senhor Jesus está sempre pronto para nos perdoar. Você pode se deixar consumir pela culpa ou deixar que Deus a destrua, a partir do momento que se volta para Ele e confessa seus pecados.

Nesse sentido, como podemos lidar com o sentimento de culpa que nos aflige? Confiando em Deus! De fato, é necessário reconhecer o próprio erro, considerar o próprio pecado e se entristecer por tê-lo cometido, pois “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2 Co 7.9). Além disso, precisamos confessar nossos pecados, colocar diante do Senhor toda a culpa que sentimos e não a esconder, por que “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” (Pv28.13). Como lemos em 1João 1.8-9, se afirmamos não ter pecado, estamos nos enganando, mas quando os confessamos, o Senhor nos perdoa e nos purifica. Devemos considerar ainda que, estes textos não devem nos direcionar apenas para “momentos de paz”, nos quais ficamos tranquilos por saber que somos perdoados e depois voltamos a cometer as mesmas transgressões, como um ciclo sem fim. Nunca seremos perfeitos nessa vida, mas é necessário haver uma mudança verdadeira e não apenas um alívio no sentimento de culpa.

Não importa qual seja a culpa que você sente, importa que você se volte para Deus com confiança, convencido pelo Espírito Santo do seu pecado e disposto a obedecer ao Senhor de verdade. Também não podemos esquecer das palavras de Jesus quando ensinou os discípulos a orar: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6.12). Muitas vezes queremos ser perdoados, mas não estamos dispostos a perdoar. Quando erramos, queremos que as pessoas entendam que somos falhos e pecadores, mas quando se trata da nossa ferida, demoramos até a pensar em perdoar.

Ao falar sobre perdão, C. S, Lewis afirma pensar que o perdão é a virtude cristã menos popular, pelo fato de que esta virtude está ligada ao segundo maior mandamento que é “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, o que inclui amar os inimigos. É daí que conhecemos a sua célebre frase: “Todos dizem que o perdão é um ideal belíssimo até terem algo a perdoar” ².  Julgamos as pessoas como não amáveis e suas atitudes como imperdoáveis, mas nós merecíamos perdão? Deus nos ama por que merecemos, por que somos amáveis ou por sua infinita misericórdia?

Talvez se pensarmos em questões desse tipo, quando formos afrontados e feridos de alguma forma, entenderemos que podemos perdoar alguém não por nossa própria bondade ou capacidade, mas porque Deus fez isso primeiro em relação a nós. Existem situações e situações, dores de intensidades diferentes causadas até pelas pessoas que amamos, mas quando não perdoamos as falhas uns dos outros, é como se ignorássemos a forma como Deus nos tratou e trata. Assim, ao lidar com o erro do outro contra nós, precisamos lembrar de como Deus agiu diante dos nossos próprios pecados contra Ele e como queremos ser tratados quando falharmos com nossos irmãos, Paulo reitera as palavras de Jesus: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo” (Ef 4.32).

Compreendemos, portanto, que Deus é perfeito assim como seus padrões são perfeitos. Sua santidade não permite que ele ignore o nosso pecado, mas Ele sempre nos agracia com Seu perdão. Nossa culpa pode ser destrutiva a ponto de não considerarmos o perdão do Senhor, mas pode ser o pontapé para reconhecermos o nosso pecado, confessá-lo e nos voltarmos para o único capaz de nos restaurar, buscando verdadeiramente viver para agradá-lo. Enquanto estivermos aqui, nunca seremos perfeitos e precisamos lidar também com as falhas um dos outros, perdoando como fomos perdoados, amando como fomos amados. O que Cristo fez e está fazendo é a nossa esperança de que um dia a culpa já não existirá, nem o pecado. Poderemos, enfim, alcançar os padrões de Deus por causa da obra do nosso Senhor Jesus Cristo, seu filho.

Juliany Correia
___________________
¹COLLINS, G. R. Aconselhamento cristão. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 155-168.
²LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 152.



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2 comentários:

  1. Olá, Ceição!

    Três na Igreja Congregacional do Calvário, e uma na Igreja o Brasil para Cristo.

    Abraço!

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