Laura era tida por todos como uma boa menina. Foi criada por pais cristãos e desde pequena ensinada nas sagradas letras. Era ativa no se...

Chateada com Deus?

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Laura era tida por todos como uma boa menina. Foi criada por pais cristãos e desde pequena ensinada nas sagradas letras. Era ativa no serviço à sua igreja e amada por sua comunidade, exemplo de moça, todos diziam que ela faria um bom casamento, e, era uma das coisas que ela sonhava, casar com um rapaz temente a Deus. Com 19 anos ela conheceu Felipe, que parecia ser esse rapaz tão esperado, mas alguns meses depois o relacionamento acabou, apesar do desgaste, ela continuou acreditando que um dia seria esposa de um filho de Deus, afinal ela ainda era muito jovem.

Hoje, Laura é uma mulher solteira de 35 anos. Mais que isso, é uma mulher amargurada e chateada com Deus. Laura diz: “Deus, eu fui uma boa garota, eu orei por um esposo, eu esperei, eu me guardei, mas o Senhor não se importou comigo, enquanto minhas amigas e conhecidas são esposas e mães, eu ainda estou aqui esperando por alguém que parece que nunca chegará. Será que o Senhor se importa mesmo comigo? Será que me ama como a Bíblia diz?”

As coisas na vida de Laura não saíram do jeito que ela esperava e ela tem culpado Deus por isso, pois se Ele pode ajudar e não ajuda, pensa ela, é porque Ele não quer ajudar, não se importa.

Laura tem uma visão pequena de Deus e o erro gritante na compreensão dela é a de que porque Deus pode, então Ele tem a obrigação de lhe ajudar, de fazer o que ela pede. O pensamento recorrente em nossos dias propaga que porque somos cristãos nossa vida deve ser fácil e sem sofrimentos, por isso, Deus deve nos proteger de tudo que nos cause dor. Mas isso se choca com o ensino bíblico (João 16.33) e com a própria realidade da vida cristã.

A Bíblia ensina que porque Deus é bondoso e poderoso Ele DEVE fazer tudo o que pedimos? Alguém pode citar a famosa passagem de Lucas 11.9-13, em que parece que Jesus está fazendo uma promessa incondicional quanto a atender todos os pedidos de oração, eu já escrevi um texto esclarecendo essa passagem, para conferir clique aqui.

Por vezes estamos sujeitos a cair na mesma postura de Laura especialmente diante de duas situações especificas:

1. Quando as coisas não acontecem do jeito que esperávamos;
2. Quando estamos sofrendo por um longo período e nada muda, parecendo que Deus não se importa.

É razoável ficarmos chateadas com Deus? É claro que não! A raiz desse aborrecimento é o nosso coração pecaminoso, e não o que Deus faz ou deixa de fazer. Isso mostra a rebelião que há em nossa velha natureza, e o desprezo pelos resultados que a aflição produz na vida dos filhos de Deus, pois leva à santificação.

Nossa velha natureza ama o conforto, não quer ser incomodada, por isso não consegue ver nada de bom nas aflições, prefere o conforto a santificação que as aflições podem produzir.

Se você está passando por algum sofrimento, eu não quero minimizar sua dor nem fazer pouco caso da sua aflição, mas gostaria de lhe aconselhar a não se revoltar contra seu Senhor, contra Aquele te ama. Todas nós já lemos histórias dos santos do passado ou mesmo nossos contemporâneos em que mesmo passando por tão severas aflições, ainda assim, demonstravam tanto amor e devoção a Deus, tanta resiliência, tanta esperança e fé.

O segredo desses santos homens e mulheres é que eles se agarraram ainda mais Àquele que tem controle sobre todas as coisas, inclusive, sobre suas aflições, e entenderam que no final de tudo, o resultado dessas aflições seria santificação para eles e glória para Deus.

Não desperdice seu sofrimento, ele pode ser um forte indicador das reais condições da nossa relação com Deus. Pois nesses momentos fica mais evidente se amamos a Deus pelo que Ele é ou pelo que Ele nos dá, além de produzir peso eterno de glória (II Coríntios 4.17)

Que Ele nos dê a doçura de Sua graça!

Sonaly Soares


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