Arrependimento: a marca distintiva do verdadeiro cristão


O arrependimento segue o curso da raça humana, pois enquanto os homens existirem, existirá também a necessidade de arrependimento. Somos pecadores, e nossa natureza depravada nos conduzirá por caminhos pelos quais mais tarde, ao ponderarmos com sabedoria, enxergaremos o quanto fomos tolos e precisamos melhorar.

 

Ninguém gosta de errar, mas quem nunca errou? Todos nós erramos um dia. Na verdade, nossa vida é composta de erros e acertos, e de tentativas de acertar mais do que errar. Seja uma palavra dita fora de tempo, uma ação equivocada, um pensamento indevido, uma reação inesperada… Nunca estivemos tão certos de nossa própria limitação em ocasiões como essas e da necessidade que temos de nos aperfeiçoarmos.

 

Ao contrário de nós, Deus nunca se arrepende. Porque Ele não tem nada a aperfeiçoar. Associarmos o arrependimento a Deus implica em não o considerar Deus, pois o ser divino é alguém que nunca falha, nunca muda e nunca tem nada a melhorar; mas que é soberano, sábio e justo em todo tempo. Deus não se arrepende, pois Ele é perfeito. Olhamos para Ele e contemplamos o padrão que devemos nos espelhar, o modelo a ser seguido, junto com o anseio de nos conformarmos à Sua imagem. Mas, olhamos para nós mesmos e encontramos desesperança, por sermos tão falhos e incapazes de sermos como Ele. O que vemos em nós é pecado, mágoa, culpa e vergonha, todos os dias.

 

Como lidar com isso? Como conviver sabendo o que sou? O Senhor Deus nunca deseja que nos contentemos com os nossos erros ou que os consideremos mais fortes que nós, Ele deseja que encontremos Nele a força suficiente para superá-los. Ele nos dá capacidade para isso. O que não implica que seremos perfeitos, mas que encontraremos graça em meio ao nosso pecado e alívio em meio à nossa angústia. Pois Jesus morreu em nosso lugar e levou todo o peso da nossa culpa a fim de que tivéssemos a liberdade oriunda através do arrependimento genuíno e da fé Nele.

 

Muitas vezes associamos arrependimento somente aos não cristãos, como se só precisássemos dele para a salvação, porém, a verdade é que um cristão genuíno nunca deixará de se arrepender em sua vida. O arrependimento é essencial à nossa saúde espiritual e uma das chaves para a nossa aceitação diante de um Deus santo. Jim Eliff¹ o definiu como:

 

"Arrependimento é uma mudança na maneira de pensar em relação a Deus e ao pecado… arrependimento significa odiar aquilo que antes amávamos e amar aquilo que antes odiávamos, significa uma mudança de caminho, do irresistível pecado para o irresistível Cristo. A pessoa que verdadeiramente se arrependeu é levada a depender de Deus. A fé é sua única opção."

 

Arrependimento tem a ver com mudança, com nova direção. É diferente do remorso, que é momentâneo e baseado em motivações erradas. O arrependimento nos conduz ao aperfeiçoamento. Alguém pode sentir tristeza por adulterar após ser descoberto por seu cônjuge com medo da separação, ou se julgar arrependido diante da repreensão de seu pastor, ou ainda pedir perdão por medo das consequências ou do castigo de Deus. Nenhuma dessas motivações é correta. O arrependido sente ódio pelo o que fez e de si mesmo. Ele se lamenta e teme tanto cair de novo que faz de tudo para que isso não mais aconteça. É claro que ele pode cair, mas não sente prazer nisso. Seu prazer está em Deus e em agradá-lo mais do que a si mesmo. Por isso, ele corre aos pés da Cruz a fim de receber misericórdia e graça para ajuda oportuna (Hb 4:16), além de lutar diariamente contra sua natureza pecaminosa.

 

Deus não deseja que você seja perfeito, mas que reconheça sua limitação e O busque com toda sua vida. Ele deseja te aceitar, apesar de você, pois Seu amor transcede qualquer barreira, e Sua graça é suficiente para te conceder perdão se te arrependeres, se buscares Nele força para mudar. Precisamos de confiança nessas verdades e rogar sempre ao Pai de misericórdia que nos auxilie em nossa luta contra o pecado. Essa guerra é espiritual e só conseguiremos vencer se estivermos alimentados da Palavra e em plena comunhão com Ele.

 

Quando penso em arrependimento, lembro de Davi e do Salmo 51. Em seu momento de intensa angústia pelos pecados gravemente cometidos, Davi vai a Deus ao invés de tentar fugir Dele. Ele se desnuda à vista do Senhor ao invés de tentar mascarar o que fez. Ele assume a culpa ao invés de procurar culpados. Ele se entristece profundamente, mas encontra a esperança de ter um novo coração, e sabe que isso é possível por causa da grande misericórdia e compaixão de Deus e nunca por si mesmo.

 

Não existe absolutamente nada que possamos confessar a Deus que o deixe boquiaberto ou surpreso, pois Ele nos conhece! E assim como o salmista podemos orar:

 

"Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende e dirige-me pelo caminho eterno." (Sl 139:23-24)

 

Podemos confessar tudo e ter a confiança de que "se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça." (I Jo 1:9).

 

Há esperança para o crente arrependido. Há salvação para o pecador. A solução sempre será Cristo. Lancemos Nele nossa confiança e O amemos de tal forma que temamos entristecê-Lo, mas que caso isso aconteça, O amemos mais ainda para mudar e continuar lutando, e em contrição de alma seguir para os Seus pés.


Uma cristã em aperfeiçoamento,

Thayse Fernandes

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¹ O arrependimento ineficaz de Jim Eliff, disponível em: ministeriofiel.com.br/artigos/o-arrependimento-ineficaz

 



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